
Você está adoecendo. Não de repente, não de uma vez só. Está adoecendo aos poucos, em silêncio, enquanto tenta ser forte o tempo inteiro. Enquanto insiste em considerar quem não te considera. Enquanto se doa demais para quem não move um dedo por você.
Existe um cansaço que não vem do corpo, mas da alma. Um esgotamento que nasce quando você diz sim para todo mundo e não para si mesmo. Quando carrega tudo calado, como se sentir dor fosse sinal de fraqueza. Como se pedir ajuda fosse um erro. Como se aguentar fosse obrigação.
Você aprendeu a sorrir mesmo quando está quebrado por dentro. Aprendeu a responder que está tudo bem, mesmo quando não está. E cada vez que você finge, algo em você adoece um pouco mais. Porque o corpo suporta muita coisa, mas não suporta a mentira constante que você conta para si mesmo.
Chega um momento em que o corpo começa a gritar. Ele fala através da insônia, da ansiedade, da dor que aparece sem explicação, do aperto no peito, da falta de ar emocional. O corpo grita aquilo que a sua boca silenciou por medo de desagradar, por medo de perder pessoas, por medo de ficar sozinho.
A verdade é dura, mas precisa ser dita. Ninguém sente a sua dor por você. Ninguém carrega o seu peso. Ninguém vai amortecer a sua queda quando você finalmente não aguentar mais. E ninguém conseguirá te salvar daquilo que você insiste em fingir que está tudo bem.
Você se tornou forte demais para sobreviver, mas fraco demais para se proteger. E isso cobra um preço alto. Porque ser forte o tempo inteiro não é virtude. É exaustão disfarçada de coragem.
Talvez doa aceitar que algumas pessoas nunca vão mudar. Que algumas relações só existem porque você se esforça por dois. Que você está se machucando para manter vínculos que já não te sustentam.
Não é fraqueza parar. Não é egoísmo escolher a si mesmo. É sobrevivência emocional. Às vezes, continuar dói mais do que ir embora. Às vezes, um limite protege mais do que mil explicações.
O corpo sempre avisa. Ele não grita de primeira. Ele sussurra. Mas se você insiste em ignorar, ele cobra. E cobra caro. Nenhuma dor emocional ignorada desaparece. Ela apenas muda de lugar.
Talvez este texto seja o aviso que você vem fingindo não ouvir. Antes que o corpo precise gritar mais alto. Antes que o silêncio vire doença. Antes que um tapa doa menos do que a vida que você está levando.