
A gente se engana porque quer. Passa dias esperando uma mensagem que nunca chega, cria justificativas para silêncios prolongados, acredita que a vida corrida impede um simples “oi”. Mas a verdade é mais simples do que parece: quem quer, faz. Quem se importa, demonstra. Quem sente saudade, dá um jeito.
Demora um tempo para entender isso. No começo, a gente se ilude. Pensa que a falta de resposta é distração, que a ausência é consequência de uma rotina apertada. Convence a si mesmo de que, no fundo, a pessoa se importa, só não tem tempo. Mas aí um dia a ficha cai. Você percebe que tempo é questão de prioridade.
Todo mundo tem 20 segundos no dia. Para mandar uma mensagem. Para responder um “tô com saudade” sem precisar de um evento astronômico para justificar. Para perguntar como o outro está. Para se fazer presente, nem que seja na brecha entre um compromisso e outro. Quando isso não acontece, não é porque a pessoa não pode. É porque ela não quer.
E essa constatação dói. Dói porque significa que você não é prioridade para alguém que, de alguma forma, ainda é para você. Dói porque obriga a encarar a verdade sem os filtros das desculpas que você mesmo criou. Dói porque, lá no fundo, você já sabia.
Mas dói menos do que continuar se enganando. Dói menos do que se agarrar à esperança de que “talvez amanhã seja diferente”. Dói menos do que esperar algo que nunca vem.
A reciprocidade não se mendiga. Atenção não se implora. Amor não se exige.
E aí vem a parte difícil: parar de insistir. Aceitar que não existe nada de errado em você, mas que não é sua obrigação convencer ninguém do seu valor. Porque quem te vê de verdade, quem se importa de verdade, não precisa de lembretes para demonstrar.
A verdade é que as pessoas sempre demonstram o que sentem, só que nem sempre da maneira que queremos enxergar. A falta de iniciativa, o silêncio, a ausência – tudo isso também é uma resposta. Uma resposta que às vezes dói mais do que palavras ditas com todas as letras, mas que é clara o suficiente para quem está disposto a entender.
A gente tem medo de aceitar o óbvio. Medo de admitir que alguém que já foi importante simplesmente não se importa mais. Ou pior: que nunca se importou como imaginávamos. A mente humana é especialista em criar ilusões, em maquiar os fatos, em transformar ausência em distração temporária e frieza em cansaço. Mas chega um ponto em que fica impossível continuar se enganando.
Talvez você já tenha passado por isso. Mandou uma mensagem, esperou uma resposta que nunca veio. Criou coragem para ligar, só para ouvir um tom de voz distante do outro lado da linha. Insistiu, acreditando que, se fizesse um pouco mais, talvez conseguisse reverter a situação. Mas sabe o que aconteceu? Nada. Porque, quando alguém decide não te dar prioridade, não há nada que você possa fazer para mudar isso.
E não deveria precisar mudar. Você não está aqui para convencer ninguém do seu valor. Você não deveria ter que correr atrás de alguém que claramente não quer ser alcançado.
As pessoas fazem escolhas todos os dias. Escolhem com quem falar, com quem se importar, para quem dar atenção. E essa escolha, mesmo que não seja verbalizada, é visível nas atitudes.
Você não pode obrigar ninguém a gostar de você. Mas pode decidir que não vai mais aceitar menos do que merece.
Pode parecer radical, mas é libertador. Quando você para de esperar por quem não quer ficar, quando você entende que o amor – em todas as suas formas – precisa ser recíproco, um peso sai das suas costas. Você começa a perceber que a ausência de alguém pode ser, na verdade, um presente.
Porque a falta de interesse alheio não define o seu valor.
Porque sua energia, sua atenção e seu tempo são preciosos demais para serem desperdiçados com quem não sabe o que fazer com eles.
Porque quem realmente quer estar na sua vida não faz você se sentir um intruso na história.
Então pare de se enganar. Pare de esperar. Pare de dar espaço para quem só aparece quando convém.
Se alguém quisesse, já teria feito. E ponto.