
Você não pode ter uma conversa casual comigo se ainda me deve um pedido de desculpas.
Porque quando alguém ignora um conflito e tenta voltar como se nada tivesse acontecido, o que essa pessoa está dizendo, sem dizer, é simples:
o que você sentiu não importa.
O impacto do que eu fiz não importa.
O que importa é a minha conveniência agora.
E isso não é maturidade. É fuga.
Em qualquer relação saudável, pedir desculpas não é submissão. É responsabilidade.
É reconhecer que houve um erro.
É olhar para o outro e dizer: eu sei que isso te feriu, e eu não vou atravessar isso como se fosse irrelevante.
Relacionamentos duradouros não são aqueles que não têm conflito. São aqueles que sabem reparar o que foi quebrado.
Quando alguém erra e tenta retornar evitando o assunto, o vínculo não recomeça do zero. Ele começa a apodrecer.
Porque o que não é resolvido não desaparece.
Ele acumula.
Ele cria tensão.
Ele vira ressentimento silencioso.
É como construir uma casa sobre um terreno instável.
Pode até parecer firme no começo. Mas cedo ou tarde, a estrutura cede.
E quem aceita esse retorno sem reparação acaba sendo empurrado para dois lugares desconfortáveis:
ou se impõe e corre o risco de parecer “duro”,
ou engole o incômodo para não perder a pessoa.
Nenhuma dessas posições é saudável.
Se posicionar dentro de uma relação é um ato de saúde mental.
É dizer: espera. Antes da gente seguir normalmente, precisamos resolver isso aqui. Precisamos colocar o vínculo no eixo.
Porque maturidade é conseguir revisitar o próprio erro.
É suportar a conversa difícil.
É não fugir da responsabilidade emocional.
Se a pessoa não consegue fazer isso, ela não está pronta para construir algo de longo prazo.
E eu não aceito reconstruir um vínculo em cima do que foi ignorado.
O que é varrido para debaixo do tapete não some.
Só cria um relevo que mais tarde faz todo mundo tropeçar.