Quando o Prazer Não Cabe no Agora – Por André Luiz Santiago Eleutério

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Há dias em que tudo o que a gente mais quer é esquecer o relógio, a dieta, a conta bancária ou qualquer compromisso com o futuro. A alma grita por um descanso, por um doce, por aquele momento que parece resolver tudo de imediato. Mas será que resolve mesmo?

A disciplina, essa palavra que muitas vezes assusta, não é um castigo. Ela é, na verdade, uma conversa séria com o nosso próprio cérebro. É como se, diante de tantas vontades passageiras, a gente dissesse para nós mesmos: “Calma. Eu sei o que estou fazendo. Eu escolhi esperar por algo maior.”

É fácil cair na armadilha dos prazeres imediatos. Eles são sedutores, rápidos, e nos dão aquela sensação gostosa de conforto, de alívio. Comer um doce, desistir de treinar, gastar com algo que não precisamos, deixar para depois o que sabemos que deve ser feito agora. É isso que o cérebro quer: uma solução rápida. Mas a disciplina entra exatamente aí quando entendemos que nem tudo que nos dá prazer no presente nos levará para onde realmente queremos chegar.

A verdade é dura, mas libertadora: quase tudo que vale a pena exige esforço. E esforço dói. Exige renúncia. Só que essa dor de agora é pequena, quando comparada à grandeza do que virá. A dor da disciplina é passageira, mas a dor do arrependimento é longa, profunda, silenciosa e muitas vezes irreversível.

Pense nas pessoas que você admira. Provavelmente, todas elas precisaram dizer muitos “nãos” ao longo da vida. Negaram convites, dormiram cedo, estudaram quando todos descansavam, se afastaram de distrações. Não porque gostavam de sofrer, mas porque sabiam exatamente o que queriam construir.

É isso que diferencia quem apenas sonha de quem realiza. Sonhar é fácil, é de graça. Qualquer um pode desejar uma vida melhor. Mas poucos estão dispostos a pagar o preço que essa vida cobra. E a moeda principal desse pagamento se chama disciplina.

Você pode estar cansado, desmotivado, achando que não vale a pena. Mas pare por um instante e imagine o seu futuro. Como você quer se sentir daqui a um mês? Um ano? Dez anos? A resposta está nas decisões que você toma agora, neste exato momento.

Você não precisa ser perfeito. Você só precisa ser constante. A disciplina não exige que você acerte sempre, mas que continue tentando. Mesmo quando parecer difícil. Mesmo quando parecer inútil. Mesmo quando ninguém estiver vendo. É esse tipo de força que molda uma vida verdadeira, com propósito, com valor.

Não se engane: o prazer imediato pode ser doce, mas ele passa rápido. Já o prazer de conquistar o que você lutou para alcançar… esse, sim, é eterno. É ele que enche o peito de orgulho, os olhos de lágrimas e o coração de paz.

Por isso, da próxima vez que sentir vontade de desistir, lembre-se: você está ensinando o seu cérebro que há algo maior esperando por você. Que vale a pena resistir hoje para comemorar amanhã. Que o seu “não” de agora é, na verdade, um “sim” para o seu futuro.

Não é sobre sofrimento. É sobre escolha. Escolher ser dono da sua própria história.
E isso é a mais profunda forma de liberdade.

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