
Vinte anos não são apenas números em um calendário; são histórias, erros, acertos e incontáveis tentativas de construir algo que, por algum tempo, fez sentido. Mas o tempo não é gentil com as certezas. Quando as mágoas se acumulam, quando as expectativas não se concretizam, resta apenas a dúvida: por que ainda estamos aqui?
Se o sofrimento foi tão grande, por que permanecer? O medo de perder tudo? Acomodação? Ou ainda existe amor, mesmo que ele já não saiba se expressar como antes? Essas perguntas se tornam um fardo quando as respostas não vêm, e pior, quando a outra pessoa também não sabe como responder. O silêncio, nesses casos, diz mais do que qualquer discussão.
O coração humano é cheio de contradições. Quer ir, mas hesita. Quer ficar, mas sente que não pode. Quando se compartilha uma vida inteira, desapegar não é apenas uma escolha lógica – é um processo doloroso, que fere antes de curar. E se um lado sente medo de partir, o outro teme que o afastamento seja interpretado como abandono. Afinal, há um limite para insistir? Há um momento certo para soltar?
Talvez seja essa a grande dificuldade: aceitar que não temos todas as respostas e que, por mais que tentemos consertar, algumas coisas se transformam para além do nosso controle. O que resta é o peso das memórias, os laços que não podem ser desfeitos, e um aprendizado silencioso sobre o que significa realmente amar – mesmo quando isso exige abrir mão.