
Você já se pegou tentando entender por que alguém que parecia tão carinhoso de repente ficou frio, distante e até cruel? Já se sentiu confuso(a), como se tivesse feito algo errado, mas não consegue identificar exatamente o quê? Já se perguntou por que continua tentando agradar alguém que só te oferece migalhas de atenção? Pois é… talvez o nome disso seja “puxa-empurra”. E, não, não é exagero, e também não é só drama. É real. E dói.
Muita gente vive isso sem perceber. E o pior: acredita que a culpa é dela. Mas a verdade é que, em muitos casos, o problema não está em quem ama, mas em quem manipula. Existe um tipo de pessoa que sabe exatamente como mexer com sentimentos alheios — e usa isso para controlar, prender, desgastar e se alimentar emocionalmente da dor do outro. São os chamados narcisistas, e uma das armas preferidas deles é o tal “puxa-empurra”.
Funciona assim: no começo, tudo é perfeito. A pessoa te olha como se você fosse única no mundo. Te elogia, te procura, demonstra interesse. Você acredita que encontrou o amor da sua vida. E aí, do nada, ela muda. Começa a se afastar, a te ignorar, a te tratar com frieza. E você, sem entender nada, tenta se esforçar mais. Se culpa. Se desgasta. Até que, de repente, ela volta a ser doce. Te dá atenção. Faz você acreditar que tudo vai melhorar. Mas logo some de novo. É como brincar de te dar carinho e, quando você começa a confiar, puxar o tapete. Isso não é amor. Isso é jogo.
Esse jogo tem um objetivo: deixar você confuso, emocionalmente dependente, perdido. Quem pratica o “puxa-empurra” sabe que, quanto mais instável for a relação, mais você vai se esforçar para merecer o mínimo. E é aí que você vai aceitando migalhas, justificando abusos, anulando suas vontades e até mesmo sua personalidade. Aos poucos, você deixa de ser você, só para ver se agrada alguém que nunca estará satisfeito.
É cruel. E silencioso. Porque quem está de fora acha que você está num relacionamento comum. Mas por dentro, você está travando uma guerra emocional todos os dias. Chorando calado, tentando decifrar sinais, se culpando por tudo. E o mais triste é que, às vezes, você até acha que ama essa pessoa. Mas o que você ama, de verdade, é aquela versão do começo — que nunca mais voltou. Aquela foi só uma isca.
Então, o que fazer?
A primeira coisa é reconhecer. Entender que isso tem nome, que isso é um padrão. Não é exagero. Não é fraqueza. É abuso emocional. E quem está vivendo isso precisa sair desse ciclo. Mas não é fácil. A pessoa viciada nesse tipo de relação não percebe que está sendo manipulada. Por isso, o segundo passo é buscar apoio. Conversar com alguém de confiança, procurar um profissional, ler sobre o assunto. Informação liberta.
Depois, é hora de estabelecer limites. Parar de justificar o injustificável. Parar de tentar mudar alguém que só está te destruindo aos poucos. E, se for possível, se afastar. Cortar contato. Porque só com distância é que a mente começa a clarear. Só com o silêncio é que a paz volta a nascer.
E enquanto isso, cuide de si. Reencontre sua autoestima. Lembre de quem você era antes de tudo isso. Porque você não nasceu para viver um amor que machuca. Você não está aqui para mendigar atenção, nem para implorar por respeito.
Não aceite menos do que merece. Não confunda instabilidade com paixão. Não ache que sofrer é sinal de entrega. Amor de verdade acolhe, constrói, fortalece. Amor de verdade não joga com os seus sentimentos. Amor de verdade não some quando você mais precisa.
Se você está vivendo o “puxa-empurra”, saiba que não está sozinho(a). E saiba também que dá para sair disso. Com coragem, com apoio, com paciência. A sua liberdade começa quando você entende que merece mais. E merece mesmo.