Quando até a marca cansa de resistir | André Luiz Santiago Eleuterio

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério


Há comunicados que não falam apenas de negócios. Falam de cansaço. Falam de uma trajetória longa demais para quem precisou se manter forte o tempo inteiro.

Quando alguém anuncia a venda da própria marca depois de mais de uma década de exposição na internet, o que está em jogo não é apenas um nome, um registro ou perfis em redes sociais. O que aparece ali é o peso de anos tentando transformar visibilidade em tranquilidade financeira e não conseguindo.

A internet vende a ideia de que persistir sempre compensa. De que quem não chegou ao sucesso ainda é porque não insistiu o bastante. Mas a realidade costuma ser mais dura. Quinze anos online não garantem estabilidade. Likes não pagam contas. Alcance não significa segurança.

O texto é direto, quase frio, mas por trás dele existe uma frustração que não precisa ser dita em voz alta. Existe o reconhecimento de que a exposição constante cobra um preço emocional alto. De que manter uma marca viva exige energia, investimento e resiliência que nem sempre retornam na mesma proporção.

Vender uma marca registrada, com histórico em internet, televisão, eventos ao vivo e produtos, não é um fracasso automático. Em muitos casos, é uma tentativa de recomeço. É o gesto de quem percebe que continuar insistindo pode custar mais do que abrir mão.

Há também algo simbólico nesse tipo de anúncio. Ele quebra a fantasia de que a internet é um caminho fácil. Mostra que por trás de nomes conhecidos, perfis ativos e presença digital, existem pessoas cansadas, contas acumuladas e expectativas frustradas.

O mais forte nesse comunicado não é a oferta. É a sinceridade involuntária. A admissão de que nem sempre o esforço gera retorno. De que a vida real não segue a lógica dos cursos motivacionais nem das promessas de enriquecimento rápido.

Talvez essa venda não seja o fim de uma história. Talvez seja apenas o encerramento de um ciclo que já estava pesado demais para ser carregado sozinho. Às vezes, soltar não é desistir. É sobreviver.

E esse tipo de verdade, ainda que desconfortável, diz muito mais sobre a realidade da internet do que qualquer discurso de sucesso instantâneo.

Rolar para cima