Quando Amar Não Basta: A Dor de Não Ser Escolhido – Por André Luiz Santiago Eleuterio

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Li em algum lugar uma frase que ficou grudada em mim: “Você pode dar tudo a alguém, mas nunca será o suficiente se não for a pessoa de quem ela quer receber.” E eu juro que não há nada mais verdadeiro do que isso.

Sabe quando você se entrega de corpo e alma? Quando se dedica, se esforça, se doa em cada detalhe? Você tenta fazer a outra pessoa sorrir, tenta entender seus silêncios, respeita suas dores, ouve até o que ela não diz. Você dá o melhor de si, todos os dias, com a esperança de que aquilo volte em forma de reconhecimento, de carinho, de presença. Mas não volta.

E não volta porque o problema não está no que você oferece. Está no fato de que, às vezes, não somos quem o outro quer que seja.

É doloroso perceber isso. Porque a gente acha que amor é suficiente, que afeto e dedicação bastam. Mas o amor, por mais puro que seja, não sobrevive sozinho quando é ignorado. Não floresce em terreno seco. E o mais cruel é que nem sempre é culpa de alguém. É só a verdade nua e crua: às vezes, o outro simplesmente não sente o mesmo. E por mais que doa, ele tem esse direito.

Você pode cozinhar, cuidar, apoiar, ouvir, segurar a mão nas horas difíceis. Pode ser abrigo, pode ser paz. Mas se a outra pessoa deseja tempestade, vai sair por aquela porta procurando o que te falta — mesmo que o que te falte seja justamente o que te mantém inteiro.

A verdade é que ser bom pra alguém não é o mesmo que ser escolhido por esse alguém. E não existe nada mais frustrante do que amar alguém que não te escolhe de volta. Você começa a se perguntar se está errando em alguma coisa, se poderia fazer mais, ser diferente, falar menos ou se anular só um pouquinho pra caber no espaço que te dão.

Mas o problema não está em você ser demais. Está no fato de que quem não quer receber o que você oferece nunca vai saber o valor do que tem nas mãos.

A gente precisa entender que nem sempre a rejeição é pessoal. Às vezes, é só sobre timing, sobre caminhos que não se cruzam do jeito que a gente gostaria. Às vezes, a pessoa ainda está presa em histórias mal resolvidas, ou procurando algo que nem sabe se existe. E você, por mais incrível que seja, não é o que ela está buscando.

Dói. Muito. Mas entender isso pode ser libertador.

Porque quando você aceita que fez tudo o que podia, que foi verdadeiro, inteiro, real, você se livra da culpa. E começa, aos poucos, a entender que a falta não está em você. Está na escolha do outro.

A partir daí, começa um novo movimento: o de se escolher. De parar de insistir onde não há espaço. De perceber que merecer amor não significa implorar por ele. Que atenção não se cobra, que afeto não se exige, que reciprocidade é a base de qualquer relação saudável.

Amar alguém que não te escolhe é um dos aprendizados mais duros da vida. Mas também é um dos mais necessários. Porque depois que você sobrevive a isso, entende que o verdadeiro amor começa dentro de você. E que, quando você se respeita, aceita ir embora de onde não te veem, mesmo ainda sentindo amor.

Você merece ser escolhido. Não por insistência, não por pena, não por costume. Mas por inteiro. Por vontade. Por verdade.

E se alguém não enxerga o seu valor, talvez o problema não esteja em você ser muito — mas em quem só sabe amar pouco.

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