Quando a Vida Pesa e o Coração Cansa

Quando a Vida Pesa e o Coração Cansa

Por André Luiz Santiago Eleutério

Tem dias em que o mundo pesa mais. Aquelas pessoas que amamos e por quem faríamos qualquer coisa, parecem distantes, ocupadas demais para enxergar a dor que guardamos. E a gente se pergunta: “Será que ninguém percebe? Será que ninguém se importa?” É uma dor surda, uma exaustão que não se alivia com sono, porque é a alma que está cansada.

A gente sempre espera, no fundo, que aquele amigo, aquele familiar, vai ser um porto seguro. Mas, e quando não são? E quando, na hora da necessidade, encontramos o vazio, a ausência, o silêncio? É um tipo de dor que mexe com tudo dentro da gente. É como se o coração se partisse em pedaços e cada um desses pedaços carregasse o peso da decepção.

A ingratidão dói. Ela nos pega desprevenidos, quando mais precisamos de apoio. E não é só tristeza, é raiva também. A gente pensa em tudo o que já fez, em cada momento em que colocamos o outro acima de nós mesmos. E então vem o pensamento amargo: “Será que vale a pena?”

Mas, às vezes, no meio desse furacão de sentimentos, vem uma pequena fagulha de clareza. Talvez, só talvez, aquela pessoa que nos decepcionou também esteja lutando contra demônios que ela não contou para ninguém. Pode ser que o universo esteja cobrando dela de um jeito que a gente não vê, de um jeito que ela mesma ainda não entende. Quem sabe o silêncio dela seja também um grito sufocado, uma dor escondida que ninguém nota.

A vida tem uma forma estranha de ensinar. Ela cobra, sim, mas nem sempre da forma que a gente espera. E, mesmo que doa, mesmo que a decepção seja grande, às vezes a nossa tarefa é aceitar que a justiça do universo não é a nossa justiça. Que o tempo dele não é o nosso. E, ainda que o coração pareça fraco e a esperança vacile, ela continua lá, insistindo em nos puxar para o próximo dia.

Esse cansaço, essa tristeza, são parte do caminho. São um lembrete de que estamos vivos, sentindo, mesmo quando dói. E, no final das contas, é isso que nos mantém de pé. Porque, por mais que a gente queira que tudo seja justo, nem sempre é. E, mesmo assim, seguimos em frente. Seguimos com a esperança de que a vida, em algum momento, vai nos devolver o que precisamos, nem que seja de um jeito inesperado.

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