Por Que Esperar o Fim Para Amar de Verdade?
Você já parou para pensar que, muitas vezes, só enxergamos o valor de alguém quando é tarde demais? No silêncio de uma despedida final, quando o coveiro diz: “Cinco minutos para fechar o caixão”, o mundo parece despertar para um amor que deveria ter sido vivido antes. Lágrimas caem, declarações surgem, mas… de que adianta, se aquele que deveria ouvir já não está mais aqui?
Por que é tão difícil amar enquanto temos tempo? Por que deixamos para depois o abraço que poderia consolar hoje, o “eu te amo” que poderia salvar um coração, ou o pedido de desculpas que poderia curar feridas? Parece que esperamos o vazio da ausência para perceber a grandeza da presença.
Talvez seja o orgulho que nos impede, ou a correria do dia a dia que nos faz esquecer o essencial. Talvez achemos que as pessoas sabem o quanto as amamos, sem perceber que amor não declarado é amor que não existe. E assim, vamos adiando, acreditando que haverá outro momento, outro dia, outra chance. Até que não há mais tempo.
Mas e se mudássemos isso agora? E se decidíssemos amar hoje, como se o amanhã não fosse garantido? Não precisa ser nada grandioso: um telefonema, um sorriso sincero, um “obrigado por estar aqui”. São os pequenos gestos que mostram o quanto alguém importa, e é isso que cria memórias que duram para sempre.
Amar enquanto é possível não apenas faz diferença na vida dos outros, mas transforma a nossa. Porque, quando damos amor, recebemos algo ainda maior: a paz de saber que não deixamos nada por dizer.
Não espere o coveiro avisar que o tempo acabou. Faça agora. Ame agora. Diga agora. Porque o verdadeiro peso da saudade não está na ausência, mas naquilo que ficou por fazer.
Texto de André Luiz Santiago Eleutério