Pensar ainda é um ato de coragem — por Andre Luiz Santiago Eleuterio

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Pensar é uma coisa muito boa. Anda meio fora de moda, mas é um hábito esplêndido.

Vivemos tempos em que pensar incomoda. É mais fácil seguir o fluxo, repetir o que se ouve e concordar para não discutir. Pensar exige pausa. E pausa, hoje, soa como perda de tempo. Só que não é. Pausar é o que ainda nos diferencia do automático. É o que nos faz sentir vivos e conscientes do que realmente estamos fazendo com a própria vida.

O mundo virou um lugar de respostas rápidas e reflexões curtas. Tudo precisa caber em poucas palavras, em vídeos curtos, em frases que não desafiam ninguém. A pressa substituiu o silêncio, e a opinião tomou o lugar da reflexão.
Pensar virou um ato quase subversivo porque quem pensa, questiona. E quem questiona, nem sempre agrada.

Mas há algo de esplêndido no simples ato de parar e pensar. É esplêndido porque liberta. Pensar é voltar para dentro, é revisitar os próprios sentimentos, é dar nome ao que sentimos sem medo do que vamos descobrir. Pensar dói, às vezes. Mas é uma dor que desperta. É o desconforto de quem está vivo demais para se deixar levar por qualquer direção.

Pensar é escolher o próprio caminho, mesmo que ninguém entenda. É ter coragem de discordar do que parece certo, de admitir que errou, de mudar de ideia. O pensamento é a semente da mudança — e talvez por isso ele tenha ficado tão fora de moda. Pensar exige responsabilidade. E nem todo mundo quer encarar a própria consciência.

Quando alguém se permite pensar, tudo ao redor começa a se transformar. As relações mudam, as palavras ganham outro peso, as atitudes deixam de ser automáticas. Quem pensa começa a enxergar o mundo com mais cuidado, e a si mesmo com mais verdade. Passa a entender que nem tudo o que brilha é felicidade, e que o silêncio, às vezes, é mais sábio do que mil respostas.

Pensar também é um gesto de amor — amor próprio e amor ao outro. Porque quem pensa sente mais. E quem sente mais, respeita mais. A reflexão nos humaniza, mesmo quando o mundo tenta nos endurecer.

Sim, pensar anda fora de moda. Mas quem se permite esse hábito descobre um poder que não se encontra em nenhum manual moderno: o poder de ser inteiro.

Então, se for para cultivar um hábito raro, que seja esse. Pensar. Pensar com calma, com alma, com verdade. Pensar até que o barulho de fora perca força, e a voz de dentro volte a ser ouvida. Porque pensar, no fim das contas, é o primeiro passo para viver de forma real.

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