
Não morar em um apartamento de luxo é normal.
Não viajar para fora do país todo ano é normal.
Comprar no mercado da esquina para economizar é normal.
Usar o mesmo notebook por anos é normal.
Fazer aniversário simples em casa é normal.
Trocar de celular só quando o antigo não aguenta mais é normal.
Mobiliar a casa aos poucos é normal.
Ter uma rotina sem glamour é normal.
Viver com escolhas práticas e possíveis é normal.
Mas ninguém te contou isso.
Pelo contrário: te convenceram de que você está atrasado.
De que sua vida está acontecendo “menos” do que a dos outros.
De que você deveria ter mais, fazer mais, mostrar mais.
E, aos poucos, fomos acreditando.
Fomos criando uma lista invisível de exigências:
o carro ideal, o corpo ideal, a viagem ideal, a casa perfeita, o celular do ano, a vida que “todo mundo” tem ou parece ter.
E nessa corrida silenciosa, você nem percebe que está trocando paz por aparência, saúde emocional por comparação, futuro por ansiedade.
O problema não é querer coisas boas.
O problema é acreditar que só o extraordinário tem valor.
Ninguém conta que existe uma beleza imensa no simples.
No café coado na hora.
Na toalha velha que ainda tem cheiro de casa.
No celular que não é o mais novo, mas guarda fotos que você nunca teria coragem de apagar.
Na sensação de voltar do mercado com o que você realmente pode pagar e estar em paz com isso.
Na mobília que chega aos poucos, como quem constrói uma vida com calma e propósito.
Há uma dignidade silenciosa no que é real.
No que cabe no seu bolso.
No que não te tira o sono.
No que não te obriga a fingir.
Viver dentro das suas possibilidades não é fracasso é maturidade.
E maturidade não precisa de aplauso: ela se sustenta sozinha.
O que não é normal é sacrificar sua paz, sua renda, seu futuro, só para sustentar uma imagem que não paga suas contas.
O que não é normal é viver para impressionar quem nem sabe o que você enfrenta quando fecha a porta do seu quarto.
O que não é normal é se torturar porque o ritmo da sua vida é diferente do ritmo da vida que o mundo te vende.
Normal é ter dias comuns.
Normal é não ser extraordinário o tempo todo.
Normal é ter metas simples, mas verdadeiras.
Normal é respeitar sua própria história mesmo que ela não seja instagramável.
O extraordinário não define uma vida.
O normal, sim.
E quando você entende isso, a pressão diminui, a alma respira e a vida finalmente volta a caber no seu peito.
Porque, no fim das contas, o normal não é falta.
O normal é liberdade.
— Andre Luiz Santiago Eleutério