O Preço de Desabafar: Quem Está Realmente ao Seu Lado?
Por André Luiz Santiago Eleutério
Quantas vezes você já sentiu o peso do mundo nos ombros, procurando um alívio? Aquele momento em que o coração aperta, as palavras vêm como uma confissão, e você acredita ter encontrado alguém capaz de ouvir e guardar? Mas o que acontece quando suas feridas abertas viram alimento para a curiosidade de quem nunca soube o valor do silêncio?
É estranho, não é? A gente se entrega, acreditando em conexões verdadeiras, mas às vezes quem segura nossa dor só quer jogá-la no meio da roda, como se fosse uma moeda de troca, um pedaço de algo que nem é deles para compartilhar. E então você se pega pensando: com quem eu realmente posso contar?
O mundo não é sempre o que parece. Alguns sorrisos escondem intenções que você só descobre tarde demais. Algumas mãos que seguram as suas também seguram facas nas costas. É cruel perceber, mas não é o fim. A lição está em aprender a diferenciar quem quer somar e quem só está de passagem, coletando histórias para alimentar a própria vaidade.
Se proteger é um ato de coragem. Não é sobre nunca desabafar, mas sobre entender que nem toda dor precisa ser exposta, e nem toda pessoa é um porto seguro. Às vezes, o silêncio é seu melhor amigo, e o coração que parecia querer acolher é, na verdade, um eco vazio, incapaz de compreender o valor do que você entregou.
Então, antes de abrir sua alma, se pergunte: essa pessoa entenderia o peso das minhas palavras? Ou transformaria minha dor em piada na próxima esquina? Nem tudo precisa ser dito. Algumas coisas são preciosas demais para cair no chão frio de uma conversa qualquer.
O mais enigmático disso tudo? Nem sempre você saberá quem é o tubarão até sentir os dentes. Mas, com o tempo, você aprende a nadar no silêncio e a confiar apenas naqueles que provaram, com ações, que são terra firme no meio do caos.
E você? Está guardando suas palavras ou permitindo que elas sejam carregadas pelo vento errado? Reflita: às vezes, o preço de desabafar é mais alto do que imaginamos.