O Peso do Excesso
Por: André Luiz Santiago Eleuterio
Matei minha planta. Não foi por descuido, mas pelo contrário: por querer cuidar demais. A cada dia, eu derramava mais água, pensando que estava fazendo o melhor, que ela precisava de tudo que eu podia oferecer. Só depois, olhando suas folhas murchas e a terra encharcada, entendi que o excesso, mesmo vindo do amor, também sufoca.
Quantas vezes na vida nos dedicamos além do necessário, pensando que estamos fazendo o bem? Querendo ser tudo, fazer tudo, dar tudo. É um esforço que nasce do coração, mas que, sem perceber, transborda. Não porque somos ruins, mas porque não sabemos onde parar. E, no final, acabamos nos perdendo.
O excesso é silencioso. Ele veste a máscara do cuidado, do zelo, da bondade. Mas aos poucos, vai apagando a vitalidade ao nosso redor. Vai drenando as forças, até que nada mais floresça. Porque amar não é sufocar. Cuidar não é tomar todo o espaço. Dar tudo de si não é o mesmo que dar o que é necessário.
Há uma beleza em respeitar os limites. Uma delicadeza em entender que o amor também precisa de pausa, de respiro, de silêncio. A planta que matei me ensinou isso. Ensinou que o amor mais bonito não é aquele que se derrama sem controle, mas aquele que entende que o equilíbrio é o que mantém a vida.
E no reflexo dessa lição, vejo que talvez, na busca de querer sempre o bem, tenha também sufocado momentos, relações, ou até a mim mesmo. Porque a alma, assim como as raízes, também precisa de espaço para crescer.