O Grito da Alma – Por André Luiz Santiago Eleutério”

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Já sentiu como se estivesse gritando por dentro, mas ninguém ouvisse? Já olhou para o teto durante a madrugada, com o coração em pedaços, sem saber se aguentaria mais um dia? Eu já. E não foi uma vez só. Foram muitas. Dias, semanas, meses. A dor não tinha hora, não fazia barulho, mas tomava conta de tudo. O corpo estava ali, mas a alma… perdida. Eu andava por fora, mas por dentro só caía.

É difícil explicar o que é estar preso dentro de si mesmo. Acordar e sentir que está cansado antes mesmo de começar o dia. Colocar um sorriso no rosto para que ninguém perceba o desespero nos olhos. Fingir que está tudo bem porque você sabe que, se desabar, poucos ficarão. No fundo, o medo maior não era morrer. Era continuar vivendo daquele jeito.

Eu tentei entender. Perguntei ao céu, implorei por respostas. Fiz promessas, chorei baixinho para não incomodar. Mas a resposta não vinha. A noite era longa demais e o silêncio era o único que me fazia companhia. Lembro de olhar no espelho e não me reconhecer. Era eu, mas parecia alguém que tinha desistido. Até que um dia, não sei se por coragem ou cansaço, eu me abracei. Me abracei como quem tenta salvar o que ainda resta. Me abracei como quem diz: “Calma, você não está sozinho”.

Não foi um milagre, nem uma cura rápida. Foi um processo doloroso. Aprendi a ouvir meu próprio choro. Aprendi que há força em continuar mesmo quando tudo parece perdido. Aprendi que eu precisava me respeitar, me escutar, me dar colo. Porque esperar isso dos outros é um erro que custa caro. O mundo segue, e nem sempre ele vai parar para notar sua dor.

Tive dias em que levantar da cama era uma vitória. Dias em que conseguir comer algo simples era como vencer uma guerra. E tive muitos dias em que chorei escondido, com medo de parecer fraco. Mas a maior força que já conheci nasceu ali, naquele lugar escuro onde ninguém me viu. Porque foi ali, sozinho, que eu descobri o valor da esperança.

Não estou dizendo que foi fácil. Não foi. Ainda existem dias nublados, lembranças que apertam, medos que insistem em voltar. Mas agora eu sei que sou maior do que todos eles. Sei que, se fui capaz de atravessar a noite mais escura da minha vida, não há tempestade que vá me derrubar. Eu renasci. Não como alguém invencível, mas como alguém que entendeu que sobreviver é, muitas vezes, o maior ato de coragem que existe.

O mais difícil foi aceitar que algumas batalhas são mesmo solitárias. Mas isso não significa que você está só. Significa que há uma força dentro de você esperando ser despertada. Uma força que ninguém vê, mas que te mantém de pé quando tudo parece querer te derrubar. Foi essa força que me segurou. Foi essa força que me trouxe até aqui.

Hoje, olho para trás com respeito. Não sinto orgulho do sofrimento, mas sinto orgulho de ter suportado. De não ter desistido quando tudo parecia perdido. De ter me agarrado à esperança, mesmo quando ela parecia um fio invisível. E se você, agora, está passando por algo assim, por favor, escute: não desista. Você não é fraco. Você está ferido. E feridas curam, mesmo quando demoram.

Se tiver que chorar, chore. Se tiver que parar, pare. Mas não solte a sua própria mão. Porque ninguém além de você vai entender exatamente o que se passa aí dentro. E, mesmo assim, você vai vencer. Não porque o mundo vai te ajudar. Mas porque você vai descobrir, como eu descobri, que ainda existe vida além da dor. Ainda existe sol depois da tempestade. E, enquanto você continuar tentando, a esperança sempre vai permanecer viva.

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