
Deixa eu te contar uma coisa, bem do fundo da alma: errar é parte da caminhada. Ninguém acerta o tempo todo, e tudo bem. Sim, tudo bem. A gente coloca o despertador e mesmo assim perde a hora. Queima o arroz, envia mensagens que não devia, faz escolhas apressadas, acredita em quem não merecia confiança. A gente tropeça nos próprios pés, desiste de planos que pareciam perfeitos no início e, no meio do caminho, sente vontade de voltar.
Isso não te faz fraco. Não te faz menor. Te faz humano.
O coração se ilude com facilidade. E quando ele se junta com a cabeça cheia de dúvidas, a confusão parece não ter fim. Às vezes, o peso do “não deu certo” machuca mais do que o silêncio de quem foi embora. Faz a gente duvidar da própria força. Dá aquela sensação de que tudo está fora do lugar, de que a vida andou pra trás.
Mas deixa eu repetir: errar faz parte. E mais do que isso, a vida não se resume a acertos. A vida também é feita de recomeços.
A gente cresce ouvindo que tem que ser forte o tempo todo, que tem que acertar sempre, que só vence quem não para. Mas isso é só uma parte da história. O que pouca gente fala é que, às vezes, parar também é crescer. Desistir de um caminho que machuca é, muitas vezes, o ato mais corajoso que alguém pode ter.
A vida é generosa com quem insiste. Ela dá voltas, sim. Mas também oferece novas chances. Ela fecha portas, mas se você prestar atenção, sempre abre uma janela ali do lado. Quando você menos espera, algo pequeno te mostra que todo sofrimento teve um propósito. Que cada lágrima, cada fim, cada pausa era só um convite para parar, respirar e tentar de novo.
O que parecia um fim definitivo, muitas vezes, é só uma pausa. Uma pausa necessária antes do próximo passo. Uma curva no caminho pra você enxergar que pode ir por outro lado. Um momento em que a vida grita: “Ei, não era por aqui. Mas ainda dá tempo”.
E dá mesmo.
Dá tempo de mudar o roteiro, de fazer diferente, de dizer “não” ao que machuca e “sim” ao que acolhe. Dá tempo de parar de se culpar por coisas que não estavam nas suas mãos. Dá tempo de olhar pra trás, com carinho, e entender: tudo o que você viveu até agora te trouxe até aqui. E aqui, onde você está hoje, pode ser um ótimo lugar pra recomeçar.
Recomeçar sem pressa. Sem cobrança. Sem o peso da perfeição. Só com verdade.
É nesse ponto que mora a liberdade: quando você entende que tudo bem ter se perdido, tudo bem ter acreditado demais, tudo bem ter errado. Porque agora você pode escolher com mais consciência. Pode seguir com mais leveza. Pode viver com mais verdade.
Não se trata de apagar o passado, mas de aprender com ele. Não se trata de fingir que não doeu, mas de reconhecer que a dor te moldou. Que a queda te ensinou. Que a pausa te salvou.
A gente precisa parar de achar que fracasso é o fim. Muitas vezes, é só o ponto de partida.