Morrer Lentamente e o Renascimento da Alma – por André Luiz Santiago Eleutério

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Há quem viva como se respirasse por obrigação.
Acorda, cumpre tarefas, trabalha, dorme e repete o ciclo, sem perceber que está morrendo aos poucos.
Essa é a morte mais cruel: a morte em vida, aquela que chega em silêncio, disfarçada de rotina.

“Morrer lentamente” não é deixar de existir.
É deixar de sentir.
É quando desistimos de tentar algo novo, de aprender o que não sabemos, de começar um projeto porque achamos que vai dar errado.
É quando a gente se cala diante do que ama, quando o medo de errar é maior do que o desejo de viver.

Pablo Neruda falava sobre essa morte suave que acontece todos os dias quando paramos de viajar, de ouvir música, de conversar com desconhecidos.
E ele tinha razão.
Quantas vezes você já quis mudar, mas preferiu o conforto do que já conhece?
Quantas vezes sentiu o coração pedindo um recomeço, mas o medo respondeu primeiro?

A vida não é feita para ser um corredor reto.
Ela é cheia de curvas, tropeços, reviravoltas.
E é justamente isso que nos faz sentir vivos.
A emoção de arriscar, de se apaixonar, de dizer “sim” mesmo sem ter certeza do que vem depois.

Morre lentamente quem evita o novo, quem repete os mesmos caminhos e conversa sempre com as mesmas pessoas.
Morre quem se conforma com a infelicidade e chama isso de estabilidade.
Morre quem não ri de si mesmo, quem não chora de emoção, quem não sente o frio na barriga antes de fazer algo importante.

Mas há um segredo escondido nesse morrer: ele pode ser o começo de um renascimento.
Porque viver exige coragem.
Coragem para virar a mesa, para dizer “basta” ao que nos prende, e “sim” ao que nos liberta.
Coragem para falhar, recomeçar, e ainda assim acreditar que vale a pena.

A verdadeira vida começa quando entendemos que estar vivo é mais do que respirar é se permitir.
Permitir-se sonhar, mudar de ideia, começar de novo, amar de novo, aprender outra vez.
É se permitir ser quem você é, sem pedir desculpas por isso.

Então, evitemos essa morte em doses suaves.
Lembremos que o coração também precisa de movimento, de brilho nos olhos e de gargalhadas inesperadas.
Porque viver é um ato de rebeldia contra o medo.
E só os corajosos entendem o poder que há em continuar, mesmo quando tudo parece igual.

Estejamos vivos, então
De verdade.

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