
Ainda não cheguei ao fim do caminho, mas já deixei muita coisa para trás.
Deixei pessoas que não sabiam ficar, lugares onde já não cabia, versões de mim que já não me representavam.
Aprendi que não é fraqueza se afastar do que machuca é coragem.
E que escolher a própria paz não é egoísmo, é sobrevivência.
Por muito tempo, tentei ser abrigo para quem só sabia ser tempestade.
Me doei além do limite, tentando ser suficiente, tentando ser visto, tentando ser aceito.
Mas a vida, com sua delicada forma de ensinar, me mostrou que não é sobre caber nos outros é sobre caber em mim.
Hoje, compreendo que ser inteiro não é sobre agradar, é sobre se respeitar.
Estar só pode doer, sim. Mas também pode libertar.
Porque quando a solidão é escolhida e não imposta, ela deixa de ser castigo e vira reencontro.
Aprendi a parar de regar o que só me feria.
A entender que nem todo laço é vínculo, e nem toda presença é companhia.
E mesmo assim, sigo sendo luz mesmo quando o caminho parece escuro.
Porque eu não vou permitir que a escuridão dos outros apague o que há de mais bonito em mim.
Se alguém quiser caminhar ao meu lado, que venha com verdade, com respeito, com afeto.
Não quero mais metade de nada, nem presenças que pesam.
Quero leveza, reciprocidade e paz.
Hoje sei o que mereço.
E sei que mereço o bem — o simples, o sincero, o que me faz respirar em paz.
O ano ainda não acabou, mas eu já sou outro.
Mais consciente, mais firme, mais eu.