Lugares, Amores e Memórias que Vivem em Silêncio – Andre Luiz Santiago Eleuterio

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Existem lugares que não vamos mais poder visitar. Lugares que marcaram nossa história, que abrigaram sorrisos, abraços, despedidas. Lugares que fizeram parte de quem somos, mas que agora só podem ser revisitados nos sonhos. A gente fecha os olhos e caminha por aquelas ruas, sente o cheiro no ar, ouve as vozes que ficaram no tempo. E por alguns segundos, tudo parece estar ali de novo, intacto, esperando por nós. Mas quando abrimos os olhos, tudo aquilo já não está mais onde costumava estar. Ficou para trás. Só resta a lembrança.

Existem pessoas que nunca sairão de dentro da gente, mesmo que já não estejam mais ao nosso lado. Pessoas que tocaram a nossa alma de um jeito tão profundo, que nem o tempo, nem a distância, nem a ausência conseguem apagar. Pessoas que, por algum motivo, a vida nos tirou – seja pela morte, por desencontros, por caminhos que se separaram. E mesmo que o coração insista em amá-las, esse amor só pode ser vivido em silêncio. Não há mais espaço, nem oportunidade, nem reciprocidade. Só o silêncio para guardar o que não pôde ser dito, vivido, continuado.

E existem momentos que foram tão especiais, tão únicos, que não podem ser repetidos. Momentos que aconteceram de forma tão simples, mas ao mesmo tempo tão cheia de significado, que se tornaram eternos dentro da memória. Um café numa tarde chuvosa, uma conversa no portão, um abraço apertado que durou mais do que o tempo permitiria. Momentos que a gente não percebeu, na hora, que seriam os últimos. Mas foram. E agora só existem como lembrança, como saudade, como parte de uma história que já não pode mais ser escrita.

Essas coisas fazem parte da vida. A gente não escolhe quando vai ser a última vez que vai pisar num lugar, abraçar alguém, viver um instante feliz. As despedidas, muitas vezes, são silenciosas. Não avisam que estão chegando. Só depois que tudo passou é que a gente entende o valor que tinha. Só depois que já não temos mais, é que sentimos o quanto fazia falta.

E dói. Dói não poder voltar. Dói amar calado. Dói guardar na memória algo que a gente queria reviver. Mas essa dor também é prova de que foi real, de que foi verdadeiro. Ninguém sente falta do que não foi importante. A saudade é a forma que a alma encontra de lembrar o que valeu a pena.

Por isso, quando a gente sentir saudade de um lugar, feche os olhos e vá até ele com o coração. Quando o amor não puder ser dito, ame em silêncio, mas ame com respeito e verdade. Quando não for possível reviver um momento, abrace a lembrança com carinho e gratidão. Porque tudo o que passou fez de você quem você é hoje.

A vida segue. E mesmo que ela leve coisas que amamos, ela também traz outras que podem curar. Mas não se esqueça de que sentir saudade não é fraqueza. É sinal de que houve amor. É sinal de que você viveu intensamente. É sinal de que o seu coração foi tocado por algo grande.

Guarde seus lugares favoritos na alma. Ame, mesmo que em silêncio. E honre os momentos vividos com a força de quem sabe que a memória também é morada do que é eterno. Porque, no fim, é isso que somos: um amontoado de lembranças que nos mantêm vivos por dentro, mesmo quando o mundo lá fora muda de lugar.

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