
Já fiz questão de tanta coisa nesta vida… Já briguei para ser ouvido, já insisti onde não havia espaço, já me esforcei para caber onde nunca fui realmente aceito. Já me perdi de mim mesmo tentando agradar, tentando ser bom o bastante para quem nunca se importou de verdade. Já chorei calado, aconselhei de coração aberto, esperei o mínimo e ainda assim me decepcionei. Já dei tudo de mim a quem não merecia nem metade.
Hoje, com o coração mais maduro e a alma cansada de batalhas que só me machucaram, eu só faço questão de uma coisa: paz. Não quero mais discutir, provar, insistir. Não quero mais correr atrás de quem vira as costas, nem me explicar para quem já decidiu me julgar. Quero a leveza de dias calmos, o silêncio das noites sem cobrança, a liberdade de ser quem sou sem precisar me moldar para caber nos desejos dos outros.
Entendi que muita gente só se aproxima para sugar, para se aproveitar da bondade, para usar os sentimentos dos outros como se fossem descartáveis. E eu deixei. Deixei porque achei que era amor. Deixei porque quis acreditar que as pessoas eram como eu: verdadeiras, sensíveis, transparentes. Mas aprendi da forma mais dura que nem todos são assim. Algumas pessoas se aproveitam justamente do que você tem de mais bonito: o coração.
O meu coração, por sinal, é a parte que mais admiro em mim. Já aguentou dores profundas, já foi partido, ignorado, subestimado… mas nunca deixou de ser sincero. Já foi carrasco com quem tentou me ferir, mas sempre foi doce e gentil com quem se aproximava com verdade. E mesmo assim, já usaram da minha pureza para me machucar. Já zombaram da minha boa intenção. Já jogaram lama no que eu oferecia com amor. E isso, confesso, foi me deixando cansado. Foi me endurecendo.
Não é fácil perceber que você se doou inteiro para quem só estava por interesse. Não é fácil aceitar que sua maior beleza virou alvo de gente sem escrúpulos. Mas acontece. E quando acontece mais de uma vez, a gente muda. A gente aprende a se proteger. E, infelizmente, aprende também a se fechar.
Não porque deixou de amar. Não porque ficou amargo. Mas porque aprendeu que o seu coração é valioso demais para ser exposto a qualquer um. Aprendeu que nem todo mundo merece ter acesso à sua luz. E que, sim, tem hora que o silêncio protege mais que mil palavras, e a distância cura mais que qualquer conversa.
Hoje, só quero viver em paz. Quero acordar sem peso no peito, quero dormir sem perguntas sem resposta. Quero sorrir para quem me sorri de volta, quero cuidar de quem me cuida também. Quero a tranquilidade de não precisar provar mais nada. Porque quem me conhece de verdade, sabe. E quem não sabe, não importa mais.
Fechei portas, sim. Fechei meu coração, talvez. Mas não porque ele parou de bater bonito. Fechei porque entendi que nem todo mundo sabe o valor que ele tem. E até que alguém apareça com mãos limpas e alma leve, vou guardá-lo com carinho. Porque meu coração é minha casa. E hoje, nessa casa, só entra quem vem em paz.