E quando ninguém faz por você o que você faz por todo mundo?- Por Andre Luiz Santiago Eleuterio

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Minha psicóloga me matou com uma pergunta. Não foi agressiva. Não foi cruel. Foi só direta demais para alguém que, por muito tempo, se acostumou a dar tudo sem pedir quase nada. Ela olhou nos meus olhos e disse: “Você se esforça tanto para fazer da vida dos outros uma experiência cheia de momentos únicos e inesquecíveis… Mas o que as pessoas têm feito para tornar os seus momentos únicos e especiais? Você tem se sentido especial por alguém?”

Na hora, fiquei sem palavras. Não era só uma pergunta. Era um espelho. E o que eu vi ali me doeu mais do que eu esperava. Porque, sim, eu sei exatamente do que ela estava falando.

Eu lembro de cada gesto meu tentando arrancar um sorriso de alguém num dia ruim. Lembro das datas que só eu lembrava. Dos presentes pensados com cuidado, das mensagens enviadas no meio da noite só para alguém se sentir visto. Eu sempre estive lá. Sempre quis que as pessoas à minha volta se sentissem queridas, abraçadas, importantes.

Mas… e eu?

Quem tem feito isso por mim?

Não estou falando de retribuições exatas, nem de cobranças. Estou falando daquela sensação simples e ao mesmo tempo tão profunda: a de se sentir importante sem ter que fazer esforço. De perceber que alguém pensou em você, sem motivo, sem lembrete, sem que você precisasse dizer que estava precisando.

É triste perceber que, muitas vezes, a gente se acostuma a ser quem cuida. Quem resolve. Quem aguenta. E aos poucos, vai abrindo mão de ser cuidado também. Como se não houvesse espaço para isso. Como se fosse errado querer receber o que tanto se oferece.

Talvez você também viva assim. Sempre pronto para dar mais um pouco. Sempre com um ombro, uma palavra, um carinho. Mas sem se perguntar, de verdade, se tem sido visto. Se alguém está te ouvindo com o mesmo interesse com que você ouve. Se alguém te pergunta como você está e espera pela resposta.

A gente não quer ser o centro de tudo. Mas também não quer ser só o alicerce que segura o que ninguém percebe. A verdade é que a gente cansa. E esse cansaço não grita. Ele vai se instalando devagar, tirando o brilho das coisas, apagando a gente aos poucos. Até que um dia, alguém faz a pergunta certa e tudo desaba.

Não é egoísmo querer atenção. Não é vaidade querer ser lembrado. É humanidade. A mesma que você oferece, precisa voltar de alguma forma. Porque ninguém sustenta o mundo sozinho. E quem vive se doando sem nunca ser acolhido, uma hora se perde de si.

Então, se você também está nesse lugar, respira. Talvez seja hora de recalibrar suas trocas. De entender que você não está errado por amar tanto, mas que também não merece continuar sendo o único que ama assim. Você merece cuidado. Merece ser visto. Merece se sentir especial.

Não só nas palavras. Mas nos gestos. Nas atitudes. No coração de quem te cerca.

— Texto de André Luiz Santiago Eleutério

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