Discernimento e Maturidade Emocional – Por André Luiz Santiago Eleuterio

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

O bom de possuir discernimento é a capacidade de entender que nem tudo são traumas. Essa afirmação pode parecer dura em um primeiro momento, mas ela carrega uma verdade necessária. Vivemos em uma era em que quase todo comportamento inadequado recebe uma explicação emocional. Dor existe. Feridas emocionais existem. Traumas moldam reações. Porém, nem toda atitude prejudicial nasce de sofrimento. Algumas nascem de escolha.

Discernimento é a habilidade de separar empatia de ingenuidade.

É importante compreender que pessoas feridas podem, sim, agir de forma equivocada. Quem carrega traumas pode reagir com medo, insegurança ou impulsividade. No entanto, existe um sinal claro de diferença: responsabilidade. Quem reconhece suas falhas demonstra consciência. Quem busca ajuda demonstra desejo de mudança. Quem pede desculpas demonstra caráter em construção.

Por outro lado, existem comportamentos que não estão ligados à dor profunda, mas à ausência de princípios. Falta de caráter não é trauma. Manipulação não é fragilidade emocional. Desrespeito constante não é apenas insegurança. Quando alguém repete padrões nocivos, culpa sempre os outros e nunca assume seus próprios erros, estamos diante de uma escolha consciente.

Ter discernimento é libertador.

Ele protege você de carregar pesos que não são seus. Muitas pessoas sensíveis, inclusive aquelas com TDAH e dificuldade de interpretação emocional, tendem a internalizar conflitos. Perguntam a si mesmas o que fizeram de errado. Tentam entender cada detalhe. Revivem conversas. Buscam lógica onde talvez exista apenas irresponsabilidade do outro.

Nem tudo precisa de análise profunda. Às vezes, o comportamento é exatamente o que parece ser.

Também existem pessoas que lutam contra seus próprios demônios internos. Conflitos, vícios, impulsos descontrolados, traços de personalidade difíceis. Todos nós enfrentamos batalhas internas. A diferença está em como lidamos com elas. Quem enfrenta seus desafios busca evolução. Quem se acomoda neles causa danos repetidos.

Discernimento não elimina a compaixão. Ele apenas impede que você se anule para salvar quem não quer ser salvo.

Há um momento na vida em que você percebe que explicar demais o outro começa a machucar você. Você tenta justificar atitudes, tenta compreender ausências, tenta traduzir frieza em dor escondida. Mas a verdade é simples e poderosa: compreender não significa aceitar tudo.

Você pode ter empatia e ainda assim estabelecer limites claros. Pode entender que alguém sofreu e, ao mesmo tempo, decidir não tolerar desrespeito. Pode amar e ainda assim se afastar. Isso não é frieza. É maturidade emocional.

Para quem sente tudo de forma intensa, essa clareza é essencial. Ela reduz a culpa excessiva. Reduz a autocobrança. Reduz a ansiedade gerada pela tentativa constante de decifrar o comportamento alheio. Quando você entende que nem tudo é trauma, você recupera sua energia.

Discernimento é equilíbrio entre coração e razão. É olhar para o outro com humanidade, mas olhar para si com responsabilidade. É proteger sua paz mental. É escolher relações saudáveis. É reconhecer que algumas pessoas precisam de ajuda profissional, outras precisam de limites, e algumas precisam apenas lidar com as consequências das próprias escolhas.

No fim, discernimento é liberdade emocional. É maturidade. É consciência.

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