Chorar explicando a dor é pedir socorro – por André Luiz Santiago Eleutério

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Tem gente que só consegue falar chorando. A dor é tão grande que as palavras não saem sozinhas. Vêm misturadas com lágrimas, pausas e silêncio. E, muitas vezes, quem ouve não entende. Ou pior: não tem paciência. Mas quem chora explicando o que sente está, na verdade, pedindo socorro. É o corpo dizendo o que a alma não consegue mais carregar.

Você já tentou explicar uma dor e se sentiu ainda mais cansado depois? Já chorou tentando ser compreendido, mas acabou se sentindo ainda mais sozinho? Isso acontece muito com quem guarda tudo por muito tempo. Com quem vive tentando ser forte o tempo todo. Até que chega o momento em que a dor transborda. E tudo o que a pessoa mais quer é que alguém olhe nos olhos dela e diga: “Pode falar, eu tô aqui.”

O mundo não anda fácil. Muita gente está no limite. Mas pouca gente escuta. E quando alguém finalmente se abre, é como se tirasse um peso de dentro do peito. Mas se, ao abrir, encontra rejeição, crítica ou impaciência, esse peso só aumenta. E o coração da pessoa quebra mais um pouco por dentro.

A gente vive cercado de pessoas cheias de sentimentos mal resolvidos, dores antigas, traumas escondidos. E muitos não sabem dar nome ao que sentem. Então choram. Choram tentando explicar o que nem eles entendem direito. E tudo o que precisam é de alguém que escute sem interromper, sem pressa, sem julgamento.

Não é frescura. Não é drama. É dor. Dor real, que grita por socorro através de cada lágrima. E, muitas vezes, quem sente isso também sofre por achar que está incomodando, exagerando, ou sendo um peso para os outros. Por isso, quando alguém começa a chorar enquanto fala, essa pessoa está quebrando uma barreira. Está mostrando que confia. Que precisa de colo. Que está no limite.

E se você estiver do outro lado, seja presença. Seja abrigo. Não tente corrigir, resolver ou comparar. Só ouça. Às vezes, o melhor que a gente pode fazer é ficar em silêncio, segurando a mão da pessoa, deixando ela dizer tudo — mesmo que entre pausas e lágrimas.

Escutar com carinho é um ato de amor. É acolher a dor do outro como se fosse nossa, mesmo sem entendê-la por completo. E isso pode ser o suficiente para impedir que alguém desista. Sim, às vezes, ouvir com atenção pode salvar uma vida. Porque o que segura uma pessoa não é o quanto ela é forte, mas o quanto ela se sente amada.

Se você já chorou explicando uma dor e sentiu que ninguém entendeu, eu quero te dizer: sua dor importa. Você importa. Você não é fraco por sentir demais. Você é humano. E é lindo quando, mesmo doendo, você tenta se explicar, tenta se conectar, tenta continuar.

E se um dia alguém chorar na sua frente, respire fundo. Esqueça o tempo. Esqueça o que você “acha” que sabe. Só esteja ali. De verdade. Às vezes, tudo que aquela pessoa precisa é ser escutada com carinho. Porque, por dentro, ela está gritando por ajuda.

A gente nunca sabe o tamanho da batalha que alguém está enfrentando. Às vezes, aquele choro que você viu em silêncio é o reflexo de noites sem dormir, de angústias que se arrastam há anos, de feridas abertas que ninguém vê. Por isso, nunca ignore um choro. Nunca diga que é exagero. Nunca fuja de quem está tentando se explicar chorando. Porque talvez essa seja a última tentativa de ser compreendido.

Quem chora explicando o que sente está, na verdade, dizendo: “Eu preciso ser escutado.”

E quando alguém se sente verdadeiramente escutado, começa a se curar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima