As Pessoas São o que Oferecem – Por Andre Luiz Santiago Eleuterio

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Cada ser humano carrega dentro de si a essência do que pode dar ao mundo. Assim como janelas, alguns estão abertos, permitindo que a luz atravesse e ilumine. Outros permanecem fechados, sem espaço para a troca. Há ainda aqueles que refletem brilho e calor, mas também os que não refletem nada. Essa diversidade de atitudes e essências nos mostra que não adianta insistir em moldar alguém para que se encaixe em nossas expectativas.

Em nossas relações, muitas vezes buscamos compreender, calcular palavras ou medir atitudes, como se existisse uma fórmula capaz de ajustar os outros ao que desejamos. No entanto, a realidade é simples: não precisamos mudar quem somos para acessar portas ou janelas que não foram feitas para nós. Esse entendimento é libertador, pois tira o peso de acreditar que está em nossas mãos transformar o que não está disposto a se abrir.

O coração bondoso, carregado de paciência e compreensão, pode acreditar que todo gesto será retribuído. Mas a verdade é que nunca sabemos o que existe do outro lado da janela do outro. Cada pessoa se comporta de acordo com o que carrega dentro de si suas dores, crenças, medos e limites. Não cabe a nós controlar ou consertar o que não nasceu em nosso interior.

A vida nos ensina, com o tempo, que é inútil insistir em juntar pedaços que não nos pertencem. Tentar colar estilhaços de algo que não foi quebrado por nossas mãos apenas gera mais dor. Cada um é responsável por lidar com as próprias falhas, aprender com os próprios tropeços e amadurecer no próprio tempo. Não é missão de ninguém carregar o peso dos outros às custas da própria paz.

Quando aceitamos que cada pessoa só pode oferecer o que tem, passamos a compreender que muitas decepções não são sobre nós, mas sobre os limites alheios. Alguém que não sabe dar amor dificilmente conseguirá amar de forma plena. Alguém que não aprendeu a respeitar dificilmente respeitará. E por mais que desejemos, não está em nossas mãos mudar a essência do outro.

Esse entendimento nos conduz à maturidade emocional. Ele nos lembra que não somos responsáveis por curar dores que não causamos, nem por salvar pessoas que não querem ser salvas. Nossa verdadeira missão é cuidar do que existe dentro de nós, manter nossa janela limpa e aberta, refletindo luz verdadeira. O resto pertence ao caminho e ao tempo de cada um.

Assim, aprendemos que respeitar nossos próprios limites é também respeitar o outro. Não se trata de frieza ou indiferença, mas de amor-próprio. Quando paramos de insistir em consertar o que não veio de nós, abrimos espaço para relações mais saudáveis, justas e equilibradas. Afinal, cada janela mostra o que tem por dentro e a nossa deve sempre mostrar clareza, paz e autenticidade.

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