
A gente cresce ouvindo que precisa ser bom com os outros. Que gentileza gera gentileza. Que quem planta amor, colhe amor. E é verdade, mas só até certo ponto. Porque a vida, por mais bonita que seja, também ensina a gente com dor, com frieza, com silêncios que machucam. E é aí que a gente aprende uma lição importante: reciprocidade não é só retribuir amor e atenção, mas também saber retribuir o desinteresse e a indiferença.
Por muito tempo, eu insisti em dar tudo de mim para pessoas que não me davam nem metade. Dava carinho, dava tempo, dava cuidado. Enviava mensagens, me fazia presente, me preocupava. Mas, do outro lado, recebia respostas frias, distantes, quando recebia alguma. Ficava esperando algo mudar, achando que talvez fosse uma fase. Que se eu insistisse mais um pouco, a pessoa iria perceber meu valor.
Mas um dia, doeu demais. Doeu tanto que precisei parar. E quando parei, olhei para tudo o que estava fazendo e percebi: eu estava tentando manter viva uma conexão que só existia para mim.
Foi difícil aceitar que o outro não se importava como eu me importava. Que o interesse não era recíproco. Mas foi nesse momento que aprendi a importância de olhar para mim com o mesmo carinho que eu olhava para o outro.
A gente precisa entender que reciprocidade não é só sobre trocar coisas boas. É também sobre saber reconhecer quando alguém está sendo frio, ausente, indiferente e saber devolver na mesma medida. Não por vingança. Não por orgulho. Mas por respeito próprio.
Muitas vezes, continuamos tentando agradar quem não se importa. E com isso, vamos perdendo a gente mesmo aos poucos. Ficamos cansados, tristes, vazios. E achamos que o problema está em nós. Mas não está. O problema está em querer amor onde só existe conveniência. Em querer atenção de quem está confortável com nossa presença, mas não se esforça para mantê-la.
Por isso, hoje, aprendi algo que mudou minha forma de viver: retribuir amor e atenção para quem me dá o mesmo. E retribuir silêncio com silêncio, indiferença com distância, desinteresse com afastamento.
Porque quem quer ficar, fica. Quem quer conversar, procura. Quem sente falta, fala. Quem se importa, demonstra. O resto é só alguém querendo manter você por perto por costume, por carência, por comodidade. E isso não é amor. Isso é egoísmo.
A gente não tem que implorar por presença. Não tem que se esforçar para merecer o básico. Não tem que se diminuir para caber no pouco que o outro oferece. A gente tem que se valorizar o suficiente para entender que reciprocidade é o mínimo. Que presença tem que ser sentida. Que carinho tem que ser espontâneo. Que amor tem que ser leve, e não um peso constante no coração.
Por fim, entendi que quando paro de insistir em quem não me quer, abro espaço para o que realmente merece chegar. Quando aprendo a dar na mesma medida, deixo de me frustrar. E quando entendo que reciprocidade é também saber se retirar, eu me liberto.
E essa é a lição mais bonita que a vida me deu: quem me quer bem, mostra. Quem não mostra, não merece o que sou capaz de dar.