Aprender a Esperar Apenas o Que o Outro Pode Dar -Por André Luiz Santiago Eleutério

A vida seria muito mais fácil se as pessoas nos tratassem da mesma forma que as tratamos, não é? Se o carinho que oferecemos fosse devolvido na mesma intensidade, se a atenção que damos fosse retribuída com a mesma dedicação, se a consideração que temos pelos outros fosse sempre recíproca. Mas a verdade é que as coisas não funcionam assim. E quanto antes entendermos isso, menos sofreremos.

Esperamos demais dos outros. Criamos expectativas baseadas no que sentimos, no que somos, no que gostaríamos que eles fossem. Mas cada um carrega dentro de si uma história, uma maneira de enxergar o mundo e um jeito próprio de demonstrar (ou não demonstrar) sentimentos. O que parece tão óbvio para nós pode ser completamente irrelevante para outra pessoa. O que valorizamos pode não ter o mesmo significado para o outro.

E aí vem a frustração. A dor de perceber que alguém não se importa do mesmo jeito que nos importamos. O incômodo de ver que nosso esforço, muitas vezes, passa despercebido. A sensação de estar sempre dando mais do que recebemos. Mas será que o problema está no outro ou está na forma como medimos isso?

Cada um só pode dar o que tem

Se alguém nunca aprendeu a expressar sentimentos, como podemos esperar que essa pessoa seja carinhosa e atenciosa? Se alguém tem dificuldades em confiar, como exigir que se entregue de corpo e alma a uma relação? Se alguém não se preocupa com pequenos detalhes, como cobrar gestos que, para nós, são importantes?

Cada um só pode dar o que tem. Só pode amar do jeito que aprendeu. Só pode demonstrar do jeito que sabe. E, por mais que pareça injusto às vezes, ninguém é obrigado a agir da forma que gostaríamos.

O grande problema das expectativas é que elas nos fazem acreditar que o outro deve agir conforme o nosso desejo, e não conforme a sua própria essência. Queremos que a pessoa seja como idealizamos, e não como realmente é. E, quando isso não acontece, sentimos que fomos enganados, traídos ou deixados de lado.

Mas será que não fomos nós que criamos essa ilusão? Será que o outro realmente prometeu ser o que esperávamos? Ou fomos nós que imaginamos coisas baseadas no que gostaríamos que fosse verdade?

Aceitar é se libertar

A partir do momento em que paramos de esperar que os outros ajam conforme nossos sentimentos, começamos a enxergar as pessoas como elas realmente são. Sem filtros, sem ilusões, sem decepções desnecessárias.

Isso não significa que devemos aceitar tudo, nem que devemos nos contentar com menos do que merecemos. Significa, apenas, que precisamos aprender a entender os limites do outro e, principalmente, os nossos próprios.

Se alguém não pode nos dar o que precisamos, talvez seja melhor procurar isso em outro lugar. Se alguém nos machuca com sua frieza, talvez devamos nos afastar. Se insistimos em esperar algo que nunca virá, talvez estejamos perdendo tempo e energia.

Aceitar que cada um tem seu próprio jeito de ser e de sentir não é se conformar. É se libertar. É parar de cobrar o que o outro não pode dar. É entender que algumas relações simplesmente não funcionam, por mais que queiramos.

E, principalmente, é perceber que a nossa felicidade não pode estar nas mãos de ninguém além de nós mesmos.

Escolha onde colocar sua energia

Temos a mania de insistir em pessoas que não nos valorizam. De tentar conquistar quem não quer ser conquistado. De dar amor a quem não sabe recebê-lo. Mas isso nos desgasta. Nos enfraquece. Nos faz duvidar do nosso próprio valor.

Ao invés de gastar tempo tentando mudar os outros, por que não focar em quem já está ao nosso lado? Por que não dar mais atenção a quem já nos trata bem, sem esforço, sem cobranças? Por que não investir em relações que fluem naturalmente, sem aquela sensação de estar implorando por migalhas?

Nem sempre teremos de volta o que oferecemos. Mas isso não significa que devemos parar de ser quem somos. Apenas precisamos aprender a direcionar melhor nossas energias. A escolher onde vale a pena insistir e onde é melhor simplesmente soltar.

Porque no final das contas, a verdade é simples: dos outros, só podemos esperar o que eles são. Não o que nós somos ou gostaríamos que fossem. E, quando finalmente entendemos isso, a vida se torna muito mais leve.

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