
Tem dias em que tudo pesa. Pesa o silêncio, pesa a ausência, pesa até a presença vazia de quem está perto, mas nunca está com você de verdade. A gente tenta… tenta conversar, tenta se abrir, tenta mostrar o que sente. Mas o que volta é pouco, seco, raso. A resposta que vem é sempre uma palavra curta, um emoji, um “depois a gente fala” que nunca chega. E a alma vai cansando.
Cansa demais tentar mergulhar em gente que só sabe flutuar. A gente procura profundidade, mas só encontra superfície. E isso machuca de um jeito que não dá pra explicar direito. É como estar num deserto emocional, carregando sede de abraço, fome de verdade, desejo de conexão. E o que a gente encontra é indiferença. Gente apressada, que tem medo de parar, medo de sentir, medo de olhar no olho e dizer “tô aqui, pode desabar”. Porque nesse mundo parece que sentir virou fraqueza, e se importar virou motivo de piada.
A ansiedade vem daí. Ela não nasce só de medos ou de pensamentos acelerados. Às vezes, ela vem desse vazio disfarçado de companhia. Vem de tentar construir uma ponte com alguém que só quer levantar muros. Vem de esperar algo que nunca vem. De cuidar demais e perceber que ninguém percebeu. De falar com o coração aberto e ser recebido com indiferença. Vem da esperança machucada, dia após dia.
O coração da gente vai ficando apertado, não por falta de amor, mas por excesso de entrega em lugares errados. É exaustivo ter que se explicar o tempo todo. Dizer que não é drama, que não é exagero, que não é carência. É só vontade de ser visto, de ser ouvido, de ser acolhido com verdade. Vontade de respirar fundo perto de alguém e sentir que não está sozinho nesse caos.
Mas o mundo não anda pronto pra isso. É um mundo que te diz “seja forte” quando o que você precisa é só descansar um pouco. Um mundo que te manda seguir em frente sem nem saber o que você carrega nas costas. Um mundo que te julga por sentir, mas te aplaude quando você finge.
E a gente finge. Finge que tá bem, finge que não dói, finge que não sente falta. Mas lá dentro, tudo grita. E a ansiedade cresce nesse silêncio fingido. Cresce cada vez que você engole o choro, cada vez que você sorri por fora e se desmancha por dentro. Cada vez que você sente demais e não tem onde colocar isso tudo.
Mas existe uma saída. Não é simples, não é rápida, mas existe. Ela começa quando você para de esperar profundidade de quem só vive na superfície. Quando você entende que não precisa se afundar tentando salvar quem não quer nadar com você. Quando você escolhe se cuidar, se ouvir, se acolher. Quando você entende que sentir muito nunca foi o problema. O problema é tentar sentir por dois, quando só você está ali de verdade.
Você não sente demais. Você só vive num mundo que sente de menos. E isso dói, sim. Mas essa dor não define quem você é. Ela só mostra o quanto o seu coração ainda pulsa forte, mesmo depois de tanta decepção. E isso… isso é bonito. Isso é força. Isso é você.