
“Alguém que destrói sua saúde mental e seu sistema nervoso não pode ser sua família, nem seu amigo, muito menos o amor da sua vida.”
Sim, eu sei: dói ler isso. Parece exagero, parece grosseria… mas às vezes a verdade chega com a sutileza de um tijolo caindo na sua testa. E o melhor que você pode fazer é agradecer que caiu antes de cair o prédio inteiro.
A verdade é simples, mas a gente complica porque gosta de criar teorias bonitas para justificar o que machuca. A gente inventa ‘amanhã eu resolvo’, como se o amanhã tivesse a obrigação moral de ser mais gentil que o hoje. Como se o universo estivesse lá em cima anotando: “Ok, fulano sofreu demais na terça, vamos compensar na quarta”. Não vai. O amanhã não é seu funcionário. Ele apenas continua o serviço malfeito que você deixou hoje.
E é aqui que as pessoas tropeçam: acreditar que o tempo, sozinho, corrige pessoas que não têm a menor intenção de melhorar. Não corrige. O tempo revela. E quando revela… ah, meu amigo, geralmente é tarde demais. A fatura chega. E o preço é sempre pago com a sua paz.
Mas por que a gente insiste? Porque existe um tipo de amor que não é amor é vício. A pessoa causa ansiedade, mas você chama de saudade. A pessoa te esgota, mas você diz que é intensidade. A pessoa destrói sua saúde mental, mas você diz que “todo relacionamento tem altos e baixos”. Tudo isso só porque você aprendeu a confundir apego com afeto. E porque ninguém nos ensina a escolher quem pode ficar. Só ensinam a aguentar.
E aí surge o dilema mais disfarçado da vida: por que eu vou deixar para amanhã o que já me destrói hoje?
Talvez porque você espera que amanhã a pessoa acorde melhor.
Talvez porque você acha que amanhã você vai ter mais coragem.
Ou talvez porque amanhã… você finalmente admita que está tentando salvar alguém que não quer ser salvo.
Aqui entra o humor ácido da vida, esse que faz a gente rir para não chorar: enquanto você se preocupa se vai perder a pessoa, ela não pensa nem por cinco minutos se está perdendo você. É nessa hora que a ficha cai e quando cai, machuca mais que a própria relação.
No fim, você percebe que amor não é construção se só você carrega o cimento. Não é cuidado se só você sangra. Não é vínculo se só você tenta.
E definitivamente não é destino quando o preço é a sua saúde mental.
A verdade é dura, mas libertadora:
Quem destrói você não pode ser sua família, nem seu amigo, muito menos o amor da sua vida.
E o amanhã… bem, ele só funciona quando você decide que merece algo melhor do que sobreviver à presença de alguém.
Escolher a si mesmo não é egoísmo.
É sobrevivência.