
Há momentos na vida em que a gente olha ao redor e percebe que está cercado de pessoas… mas não de presenças. E essa é uma das dores mais silenciosas que existem. Porque não é alguém indo embora que machuca. É alguém ficando sem estar, respondendo sem sentir, convivendo sem se importar. É aquela presença vazia que ocupa espaço, mas não preenche nada.
E o mais estranho é que, muitas vezes, a gente aceita isso. Aceita migalhas, aceita metades, aceita restos. Não porque não mereça algo melhor, mas porque não consegue enxergar quem realmente é. Quando a pessoa não acredita no próprio valor, ela começa a confundir pouco com suficiente, começa a achar bonito aquilo que só deveria ser aviso.
E você sabe. Lá no fundo, sabe. Sente aquele incômodo, aquela dúvida, aquela tristeza que chega sem dar nome. Sabe que tem algo errado. Mas mesmo assim permanece, como se estivesse devendo algo a alguém. Como se fosse proibido soltar o que dói.
A verdade é simples, mas difícil de aceitar:
a gente só aceita pouco quando acredita que também é pouco.
Por isso, às vezes o problema não é o outro. É a forma como você se diminui para caber em lugares que nunca foram seus. É o tempo que você tenta dar para quem nunca te devolveu nada. É o abraço que você insiste em oferecer para quem nem estende os braços de volta.
E tem um detalhe que ninguém fala, mas que você já sentiu na pele:
gente que não te valoriza percebe isso. E usa.
Usa o seu coração bom, usa sua paciência, usa sua vontade de acertar. E quando não precisa mais, some. Ou pior: fica, mas fica te ferindo devagar, como se arrancasse pedaços de quem você é.
Mas existe um momento — sempre existe — em que você acorda.
Em que você olha para você mesmo como nunca viu antes.
E percebe que não precisa mendigar nada de ninguém.
Percebe que a paz que você procura nunca esteve no outro.
Sempre foi sua, mas você tinha esquecido.
E quando essa consciência chega… ah, ela muda tudo.
Muda o jeito que você fala, o jeito que você anda, o jeito que você escolhe.
Muda até o silêncio que deixa de doer e começa a proteger.
Porque no final, é isso que você precisa entender:
Você é grande demais para viver preso em vínculos pequenos.
Grande demais para implorar migalhas de quem não enxerga seu valor.
Grande demais para continuar onde sua alma já pediu para não ficar.
Às vezes, se afastar não é perder.
É se reencontrar.
E esse reencontro… esse sim, é o verdadeiro começo.