André Luiz Santiago Eleutério – Onde a alma pousa

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

A borboleta não pousa em qualquer canto.

Ela escolhe.

Ela observa.

Ela sente o terreno antes de entregar suas asas ao descanso.

E talvez essa seja a lição mais simples e mais ignorada da vida: o espírito só deve morar onde o coração respira sem medo.

Crescemos acreditando que precisamos nos adaptar a qualquer ambiente, a qualquer pessoa, a qualquer história onde nos colocam.

Aprendemos a caber em lugares apertados, onde o silêncio pesa, onde o sorriso é forçado, onde a presença vira resistência.

Mas ninguém ensina que o coração também tem limite.

Que a alma também cansa.

Que tem pousos que não são descanso são sobrevivência.

A borboleta não insiste onde não há paz.

O ser humano insiste até perder a própria cor.

Quantas vezes você ficou onde não cabia mais?

Quantas vezes tentou permanecer onde o ar era pesado demais para respirar?

Quantas vezes chamou de “paciência” o que no fundo era medo de ir embora?

A borboleta não faz isso.

Ela não tenta convencer o vento, nem força permanência.

Ela sente.

E quando sente que o lugar não acolhe, ela vai embora com naturalidade, sem discurso, sem drama, sem explicação.

Porque a vida dela é curta demais para ser desperdiçada em terrenos áridos.

Talvez o teu espírito esteja pedindo a mesma coragem.

Tem lugares que não te rejeitam — só não te merecem.

Tem pessoas que não te machucam — apenas não sabem te acolher.

Tem histórias que não são ruins — só não são tuas.

E a alma sabe.

Ela sempre sabe.

O corpo endurece, o peito aperta, o sono some, a calma evapora… tudo isso é aviso.

É o teu interior dizendo que ali não é pouso, é desgaste.

E aqui está a verdade que ninguém gosta de admitir:

A paz nunca fez barulho.

Quem faz barulho é o desconforto tentando ser ignorado.

Quando você encontra um lugar onde o coração se sente em casa, não existe dúvida.

A respiração muda.

A presença é leve.

O tempo corre sem machucar.

A alma não precisa se explicar para existir.

E não se engane: paz não é ausência de problemas.

Paz é ausência de ameaça.

É saber que você pode ser você.

É pousar sem medo de ser arrancado.

A borboleta pousa onde há paz.

E o ser humano deveria aprender com ela.

Porque a vida é longa o suficiente para você caminhar, mas curta demais para você viver cansado.

Escolher o lugar certo para pousar também é uma forma de se amar.

E quando o espírito encontra esse lar silencioso, o mundo finalmente faz sentido não porque mudou, mas porque você mudou o lugar onde escolheu descansar.

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