André Luiz Santiago Eleutério – A bondade que não precisa de testemunha

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Existem pessoas que passam a vida inteira tentando convencer o mundo de que são boas.

Correm atrás de aprovação, colecionam gestos calculados, fazem questão de mostrar cada favor como se precisassem assinar um contrato de boa intenção.

Mas a verdade é simples demais para tanto esforço: uma pessoa boa não precisa provar nada.

A bondade verdadeira é silenciosa.

Ela nasce de dentro, não depende de luz artificial.

Ela se manifesta nos detalhes que ninguém vê, nas escolhas que ninguém aplaude, na capacidade de fazer o certo mesmo quando ninguém está olhando.

Ser bom nunca foi sobre plateia.

Sempre foi sobre caráter.

Quem tenta justificar demais corre o risco de se perder.

Corre o risco de entregar sua paz para mãos erradas, de confundir bondade com servidão, generosidade com obrigação.

Há quem aproveite isso. Há quem exija. Há quem julgue.

E é aí que a alma cansa: não é o ato bom que pesa, é o esforço inútil de querer ser entendido.

Existe uma liberdade que nasce quando alguém finalmente entende que ser uma pessoa boa não deve virar espetáculo.

É quando o coração percebe que sua luz não precisa de tradução.

É quando a consciência dorme tranquila, mesmo que ninguém reconheça o que foi feito.

É quando a alma escolhe a verdade, e não o aplauso.

A bondade não está em gritar seus feitos.

Está em não usar o bem como moeda.

Está em não esperar troféus por atitudes que já nasceram completas.

O que é verdadeiro sustenta a si mesmo.

O que é forçado cai com facilidade.

A grande questão é que, muitas vezes, quem possui um coração sincero se cansa mais rápido.

Cansa de dar explicações.

Cansa de ser subestimado.

Cansa de ser confundido com alguém que precisa agradar.

Cansa de ser testado, duvidado, comparado.

Mas ser bom não significa aceitar tudo.

Não significa abaixar a cabeça para qualquer julgamento.

Não significa permitir que outros decidam o valor da sua essência.

Há uma força imensa em simplesmente ser.

Sem justificar.

Sem se explicar.

Sem se diminuir.

A paz chega quando você entende que não precisa provar sua lealdade, sua verdade ou sua pureza para ninguém.

Quem tem olhos limpos enxerga.

Quem tem coração bom reconhece.

Quem tem maturidade não exige explicações, escolhe sentir.

O resto é ruído.

E ruído não deveria guiar seu caminho.

Ser uma pessoa boa já é grande demais para caber em evidências.

Quem é bom de verdade segue em frente carregando apenas o que importa: consciência limpa, alma leve e nenhuma vontade de convencer o mundo de coisa alguma.

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