A Vida é Curta Demais para Viver no Automático – Por André Luiz Santiago Eleuterio

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Há momentos em que a gente percebe, meio sem querer, que está apenas existindo. Os dias passam, as tarefas se acumulam, e tudo vai entrando num ritmo que mais parece um piloto automático. E aí, sem perceber, o café esfria, a conversa perde a graça, e o coração… se cala. Mas a vida não foi feita para ser vivida assim.

Tem uma hora em que é preciso parar. Respirar fundo. Olhar com mais carinho para os detalhes, porque são eles que mostram onde a gente se perdeu daquilo que importa. Um café forte, por exemplo, pode parecer simples, mas ele desperta. Ele esquenta a manhã e convida para um recomeço. Agora pense: quantas vezes você aceitou um café sem gosto só porque era mais fácil?

Assim também acontece com outras coisas. Às vezes a gente se acostuma com o que não aquece mais. Com o que não provoca mais sorrisos nem arrepios. É confortável, é verdade. Mas é morno. E viver no morno é abrir mão, dia após dia, do calor que faz a vida valer a pena.

Nem sempre é fácil perceber. Às vezes o que parecia amizade vai ficando raso, e a gente finge não notar. Vai mantendo por costume, por educação, por medo de parecer ingrato. Outras vezes, o que parecia amor vira presença vazia sem palavra que consola, sem gesto que abraça. E mesmo assim a gente fica, achando que é melhor do que nada. Mas será?

A vida é muito curta para segurar o que não sustenta. E é longa demais para passar pelos dias sem se emocionar.
Se não provoca risada solta, conversa boa, vontade de estar perto… talvez seja hora de repensar.

Existem pessoas que aquecem a alma.
Que chegam de mansinho e, de repente, estão nos momentos mais importantes. Gente que ouve até o silêncio e entende. Que não precisa estar perto o tempo todo, mas quando está, faz a diferença. É com essas que a vida se torna mais leve. E nem sempre são as mais antigas, nem as mais presentes são as mais verdadeiras.

E o mesmo vale para aquele tipo de presença que deveria ser amor, mas virou costume. Há abraços que não acolhem mais, olhares que não brilham, palavras que não tocam. Quando o coração já não reconhece o calor, talvez seja porque ele foi se apagando aos poucos, como um café esquecido na xícara. E mesmo que ainda esteja ali, já não serve mais.

É duro admitir que algumas coisas perderam o sentido. Mas é necessário. Porque aceitar o morno é impedir que o novo chegue. É como deixar a porta encostada, esperando o vento certo, mas sem coragem de abri-la por completo.

Não se trata de radicalizar. Não é sobre cortar laços por impulso ou virar as costas para quem erra. É sobre perceber quando algo já não acrescenta. Quando a presença pesa mais do que acolhe. Quando o silêncio dói mais do que acalma.

A vida pede coragem. Coragem para sair do automático, para dizer “não” com respeito, para se escolher. Coragem para recomeçar, mesmo quando o fim parece confortável. E coragem, sobretudo, para procurar calor nas palavras, nos gestos, nos encontros.

Porque no fim das contas, não é o tempo que mede a vida, mas o quanto ela nos tocou. Os cafés divididos com vontade, as conversas sinceras, os abraços demorados, os olhos que brilham de verdade. É isso que fica. É isso que aquece.

A vida é muito curta para o que não desperta. O que não aquece. O que não emociona. Que a gente aprenda a escolher com mais cuidado o que colocamos na nossa xícara, no nosso tempo e no nosso coração.

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