A MUDANÇA E O PESO DAS RENÚNCIAS — por André Luiz Santiago Eleuterio

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Há um ponto na vida em que mudar deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade. Não porque o mundo exige, mas porque a alma começa a pedir socorro. A frase “não há mudanças sem renúncias” parece simples, mas carrega um peso que só quem já precisou se despedir de algo importante consegue entender. Mudar é, quase sempre, um processo de perda. E o mais curioso é que, muitas vezes, o que dói não é o que a gente perde é o que a gente continua insistindo em manter, mesmo sabendo que já não faz bem.

Existem lugares que já não cabem mais em quem você se tornou. Pessoas que não enxergam o seu novo olhar. Hábitos que te prendem ao que você jurou deixar para trás. Atitudes que te mantêm no mesmo ciclo de dor e repetição. E é aí que mora o verdadeiro desafio da mudança: entender que crescer exige deixar ir, mesmo quando o coração ainda não aprendeu a desapegar.

Renunciar não é desistir é se libertar. É reconhecer que certas permanências são mais custosas que qualquer partida. A gente aprende a abrir mão quando percebe que o preço de ficar é alto demais. É quando entende que segurar o que já acabou também é uma forma de se machucar.

Mudar é soltar o que pesa e escolher o que faz sentido. E nem sempre isso é bonito. Às vezes, a mudança vem acompanhada de silêncio, de solidão e de uma saudade que parece não ter cura. Mas é justamente nesse vazio que a vida começa a se reorganizar. Quando você se liberta do que te prende, o que é leve finalmente tem espaço pra chegar.

A verdade é que a mudança começa no momento em que você decide parar de negociar com o que te faz mal. Quando você escolhe se livrar do que te atrasa, em vez de aceitar o prejuízo que isso traz. É um processo lento, mas profundamente honesto. Porque mudar não é sobre ser outra pessoa é sobre finalmente ser quem você é, sem o peso das repetições.

No fim, a renúncia é um ato de amor-próprio. É dizer a si mesmo: “eu mereço mais do que isso”. Mudar não é um castigo, é um recomeço. E, talvez, tudo o que a vida esteja esperando é que você pare de segurar o que te afunda pra poder te dar aquilo que te eleva.

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