A Estratégia da Corda

 A Estratégia da Corda

Por André Luiz Santiago Eleutério

Minha estratégia é simples. Dou corda. É um movimento silencioso, quase imperceptível, mas que carrega um peso profundo. Alguns, ao receberem essa corda, criam laços — fortes, duradouros, verdadeiros. Laços que amarram confiança, respeito e carinho, que unem histórias e constroem pontes onde antes havia abismos.

Outros, no entanto, usam essa mesma corda para se enforcar. Não porque foram forçados, mas porque as escolhas que fizeram os conduziram a esse destino. A corda não julga, ela apenas revela.

A simplicidade desse ato é o que mais assusta. Ele não exige palavras, não pede explicações. Apenas observa. Porque no fim, não somos responsáveis pelos laços ou pelos nós que os outros escolhem fazer. Cada um carrega em si a liberdade de usar a corda como quiser.

É aí que mora o enigma da vida: o mesmo gesto que aproxima, também afasta. A mesma oportunidade que permite crescer, também pode derrubar. E não há como prever o desfecho. Tudo o que podemos fazer é seguir em frente, oferecendo a corda e esperando para ver o que cada um faz com ela.

Dar corda é um teste, mas nunca uma armadilha. É confiar que a verdade de cada pessoa se mostrará, seja nos laços que ela cria ou nos caminhos que ela escolhe. Porque, no fundo, não há como fugir de quem somos. A corda só expõe o que já estava lá, esperando o momento de aparecer.

E assim, simples como a vida pode ser, seguimos. Observando. Laços se fortalecem, outros se rompem. Alguns se enforcam. E a verdade, essa, sempre prevalece.

Local: Itaim Bibi, São Paulo – SP, Brasil

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