A Dura Beleza de Sentir Demais -Por André Luiz Santiago Eleutério

A Dura Beleza de Sentir Demais – Quando Ser Intenso em um Mundo Frio Parece um Peso, Mas na Verdade é um Presente

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Desde muito cedo, aprendi que meu coração tem um jeito próprio de sentir o mundo. Ele sente tudo de forma mais profunda, mais intensa, mais verdadeira. Mesmo quando carrega cicatrizes que ninguém vê, mesmo quando suporta dores que ninguém pode imaginar, ele continua batendo forte por coisas que muitos considerariam pequenas, mas que, para mim, fazem toda a diferença.

O céu mudando de cor no entardecer, o cheiro da chuva depois de um dia quente, uma música que toca de maneira especial e arrepia a alma, um abraço inesperado de quem amo… Cada um desses momentos carrega um significado imenso. São detalhes que fazem meu coração pulsar mais forte, porque, para mim, a vida está nesses pequenos instantes.

Sempre fui assim. Sempre me entreguei por inteiro às experiências, às pessoas, às emoções. Mas o mundo não nos prepara para as dores que vêm junto com essa intensidade. Ninguém nos ensina a lidar com a frustração de sentir demais em um tempo onde muitos parecem sentir de menos.

Ser intenso, em um mundo que preza pelo desapego e pela superficialidade, pode parecer um fardo. Em alguns momentos, nos sentimos deslocados, incompreendidos, vulneráveis. É como caminhar descalço sobre cacos de vidro enquanto outros passam ao nosso lado de sapatos bem fechados, sem perceber a dor que existe no chão.

E então surge a dúvida: seria melhor sentir menos? Ser menos? Fingir que certas coisas não nos afetam? Muitos dizem que sim. Que seria mais fácil viver sem se importar tanto, sem se emocionar tanto, sem esperar tanto dos outros.

Eu já tentei. Já tentei ser mais frio, menos envolvido, mais distante. Mas não funcionou. Porque essa não é a minha essência.

E, no fundo, percebi que não quero ser assim. Prefiro me emocionar com um pôr do sol do que atravessar o dia sem ao menos notá-lo. Prefiro me arrepiar com uma melodia que toca a alma do que apenas ouvir sons vazios. Prefiro abraçar forte, mesmo sem ter certeza se serei correspondido. Prefiro mergulhar fundo nos sentimentos, ainda que isso signifique encarar a dor que às vezes vem junto.

Sim, ser intenso machuca. Dói se entregar e perceber que o outro não sente na mesma medida. Dói demonstrar afeto para quem não sabe recebê-lo. Dói ser profundo em um mundo raso. Dói amar quando as pessoas têm medo do amor. Mas, no fim das contas, o que seria da vida sem essa entrega?

Prefiro ter um coração que se machuca do que um que não sente nada. Prefiro as lágrimas que vêm da emoção verdadeira do que o vazio de quem vive na superfície.

Se você se sente assim, se carrega essa mesma intensidade e, por vezes, se sente deslocado no mundo, saiba que não está sozinho. Há muitos de nós por aí, sentindo demais, vivendo demais, amando demais.

O mundo pode ser cruel com quem sente, mas não permita que isso te faça mudar. O mundo precisa de pessoas que sentem.

Ser intenso não é um erro. É uma dádiva. E, por mais que doa, é também a única forma de viver de verdade.

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