Entre a Dúvida e a Certeza: Por Andre Luiz Santiago Eleuterio

O mundo é barulhento. Vozes cheias de certezas ecoam por todos os lados. Pessoas falam com convicção, espalham verdades absolutas, ditam regras como se soubessem tudo. Mas será que sabem? Ou será que apenas falam mais alto?

Quem pensa demais, quem questiona, quem reflete antes de falar, muitas vezes se sente pequeno diante de tanta certeza. A dúvida não grita. A dúvida sussurra. Ela mora no silêncio dos que enxergam além, dos que não se contentam com explicações simples, dos que sentem que para cada resposta existem mil perguntas.

A dúvida é como uma estrada longa, cheia de curvas e sombras. Cada passo revela algo novo. Cada pensamento abre uma nova porta. Mas o mundo tem pressa. Ele quer respostas rápidas, diretas, sem espaço para hesitação. E é por isso que aqueles que pensam antes de falar acabam atropelados pelo barulho das certezas vazias.

Há algo injusto nisso tudo. O mundo parece recompensar quem não pensa muito. Quem não hesita. Quem acredita no que ouve sem questionar. Enquanto isso, os que refletem carregam um peso invisível. Um peso que não pode ser dividido, porque poucos entendem a dor de enxergar todas as possibilidades antes de escolher um caminho.

Pensar demais cansa. A mente nunca para. São pensamentos que se cruzam, perguntas que surgem sem aviso, lembranças que voltam sem explicação. Não é só um jeito de ver o mundo. É um jeito de sentir tudo com mais intensidade.

E, no meio disso tudo, vem a frustração. As pessoas querem respostas prontas. Elas não querem pensar, não querem refletir. O mundo segue um ritmo acelerado, e quem para para questionar parece estar sempre atrasado. Fake news se espalham mais rápido do que a verdade. As mentiras confortáveis são aceitas com mais facilidade do que as verdades difíceis.

Mas a verdade não grita. Ela não se impõe. Ela espera. Espera por quem tem paciência para buscá-la. Espera por quem não aceita a primeira resposta que aparece. Espera por quem sabe que aprender não é sobre ter certeza, mas sobre saber duvidar.

E então vem a ironia: os que sabem de verdade são aqueles que mais duvidam. Porque entender o mundo é aceitar que sempre há algo novo para aprender. Quem se questiona, cresce. Quem hesita, se expande. Quem busca, se transforma.

O problema do mundo não está nos que duvidam. Está nos que nunca se perguntam se podem estar errados. Está nos que preferem um erro confortável a uma verdade incômoda. Está naqueles que falam sem pensar, que acreditam sem questionar.

Se você é do tipo que pensa, que sente, que questiona, saiba que isso não é fraqueza. É força. Pode ser cansativo, pode ser frustrante, mas é o que faz você enxergar o que muitos ignoram.

Então, não se deixe levar pelo barulho das certezas vazias. Continue questionando. Continue buscando. Porque, no fim, a ignorância pode até fazer mais barulho, mas é a dúvida, silenciosa e persistente, que realmente transforma o mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima