
Há momentos em que nos sentimos indispensáveis. Parece que o mundo depende do que somos e do que fazemos. O olhar de admiração, a aprovação que tanto nos conforta, tudo parece eterno. Mas então, como um vento que muda de direção, somos esquecidos. O brilho nos olhos dos outros some. Aquele lugar que ocupávamos, tão especial, é preenchido por alguém novo, mais útil.
É cruel, mas real: a consideração não vem da essência, vem da conveniência. Enquanto servimos a um propósito, somos elevados. Mas basta um deslize, ou até mesmo uma mudança de circunstâncias, para que sejamos deixados de lado.
Essa realidade pode doer, mas também pode libertar. Porque, no fundo, nossa maior força não está em agradar ou ser útil para os outros, mas em nos reconhecer por quem realmente somos. Não somos descartáveis, mesmo quando somos tratados como tal.
Se você já sentiu esse vazio, saiba que não está sozinho. Você não é apenas o que faz pelos outros. Você é muito mais do que a utilidade que o momento exige. E, mesmo quando o mundo parece esquecer, lembre-se: o valor verdadeiro não se apaga, apenas muda de cenário.