Matar um Leão é Fácil, Difícil é Confiar nas Cobras
Por André Luiz Santiago Eleutério
Matar um leão por dia é simples. É exaustivo, sim, mas previsível. O leão vem de frente, mostrando sua força, rugindo alto. Ele não esconde sua intenção: ou você o enfrenta, ou se torna presa. Essa é a natureza dele, e não há engano nisso. Difícil mesmo é lidar com as cobras.
As cobras não anunciam sua chegada. Elas não precisam de força ou rugido. Sua arma é o silêncio, o olhar enviesado, o deslizar sorrateiro por onde você menos espera. Enquanto você está ocupado enfrentando os desafios evidentes, as contas atrasadas, os problemas do dia a dia, as cobras estão agindo. Elas não atacam diretamente. Elas esperam, calculam e, quando encontram o momento certo, espalham seu veneno.
Não se engane: as cobras não vivem apenas nas matas. Elas se escondem em lugares familiares, em rostos conhecidos. São aquelas palavras que parecem amparo, mas carregam desprezo. São os sorrisos que ocultam intenções e os gestos que fingem apoio, mas acabam puxando o chão sob seus pés.
O veneno das cobras não mata de imediato. Ele corrói aos poucos, abalando o que você acredita, confundindo o que antes era certeza. Ele transforma confiança em desconfiança, força em hesitação. É sutil, quase imperceptível, mas profundo o suficiente para minar até mesmo o espírito mais forte.
Matar o leão, por mais cansativo que seja, te traz um senso de vitória. É uma luta justa, onde você sabe quem é o inimigo. Já conviver com as cobras é enfrentar o inesperado, o traiçoeiro. É viver em alerta constante, porque nunca se sabe de onde virá o próximo bote.
E isso nos deixa uma reflexão importante: o leão testa sua coragem, mas as cobras testam sua essência. Elas forçam você a olhar além das aparências, a reconhecer quem realmente está ao seu lado e quem apenas espera a oportunidade para atacar.
A vida não é feita apenas de batalhas óbvias. Muitas vezes, os maiores desafios não são os leões que enfrentamos, mas as cobras que toleramos ao nosso redor.