“Traições Íntimas e o Silêncio como Resposta”
Por André Luiz Santiago Eleutério
Já coloquei gente dentro da minha casa que não merecia nem pisar na calçada. Judas nunca foi um estranho; ele sempre foi íntimo. A traição não vem de longe, ela é planejada no espaço da convivência, na confiança de quem chamamos de próximo. Judas beijou Jesus para entregá-lo, mas sua face já trazia o reflexo da falsidade há tempos. E, ainda assim, foi recebido na mesa da última ceia.
Mas Judas não foi o único. Pedro, aquele que caminhou ao lado do Mestre, negou a Ele três vezes antes do galo cantar. Não foi traição, mas fraqueza, medo. Existe diferença, é claro, mas ambas as dores são profundas. Judas traiu por interesses, Pedro negou por pavor. Ambos foram humanos, e é justamente essa humanidade que nos ensina: quem está ao nosso lado pode nos ferir de formas que ninguém mais consegue.
Hoje, amo encerrar ciclos. Aprendi que meu mundo é minha responsabilidade, e nele só existe quem eu permito. Quem trai, mente, manipula ou fere perde esse privilégio. Não há alarde, não há confronto. Apenas silêncio. Acredito na força do karma e na lei do retorno. Quem trai, será traído. Quem mente, se afogará em mentiras. Quem me enganar, será enganado.
Eu me retiro em silêncio porque sei que as maiores lições da vida não precisam de palavras. Cada um sabe o que fez. Não me cabe cobrar ou desejar o mal, porque a vida se encarrega de tudo. E minha capacidade de excluir alguém da minha vida é um reflexo dessa crença. Sou capaz de seguir em frente como se a pessoa nunca tivesse existido.
A dor de uma traição, seja ela um beijo de Judas ou a negação de Pedro, nos ensina que nem todos merecem acesso ao que somos. Mas há algo que eu sempre levo comigo: ao contrário de Judas, sempre há a chance de redenção. Pedro chorou amargamente por seus atos e se tornou um dos maiores exemplos de mudança.
A vida é curta demais para manter por perto quem não agrega. Mas também é longa o suficiente para perdoar e entender que todo mundo carrega seus próprios pesos. Não me apego ao ódio, mas à liberdade. Encerrar ciclos é um ato de amor próprio, mas também de reflexão. O que você faz ao ser traído define quem você é. E no final, é o silêncio que fala mais alto.