A Verdade do Lobo

 “A Verdade do Lobo”

Por André Luiz Santiago Eleutério

O lobo só é o malvado dos contos de fadas porque alguém decidiu contar sua história desse jeito. Ninguém perguntou ao lobo por que ele estava à porta da casa de tijolos, ou o que o levou a cruzar o caminho da Chapeuzinho Vermelho. A vida, tantas vezes, é contada por quem grita mais alto, por quem tem o privilégio de escrever as páginas que todos leem. O lobo, com seu olhar selvagem e dentes afiados, foi condenado pela aparência, pela fome que talvez ele nem tenha escolhido sentir.

E quantas vezes não somos também lobos em histórias que não escrevemos? Quantas vezes somos julgados pelo que parece, mas nunca pelo que realmente é? Nos pintam como vilões porque é mais fácil, porque talvez não seja conveniente ouvir o outro lado. Quem sabe o lobo só queria um lugar seguro, uma companhia, ou estava fugindo de algo ainda maior e mais aterrorizante que ele mesmo?

A verdade é que todos carregamos um pouco desse lobo dentro de nós. A dor de ser incompreendido, a luta para sobreviver num mundo que nos vê como ameaça. Mas o lobo não nasceu vilão. Ele é, no fundo, como qualquer um de nós: um ser que só queria existir, ser aceito, e talvez, finalmente, ser ouvido.

Talvez seja hora de reescrevermos essas histórias. De darmos voz ao lobo. De enxergarmos que, por trás dos dentes e das garras, existe um coração que também bate, que também sofre. Porque, no fundo, o lobo só queria encontrar seu lugar no mundo, assim como todos nós.

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