
Eu não gosto de jogar nada na cara de ninguém.
Nunca gostei.
Não porque me falte argumento. Não porque me falte memória. Mas porque aprendi que nem toda verdade precisa ser dita para ser válida. Às vezes, o silêncio é mais elegante do que qualquer explicação.
Ainda assim, existem dias em que a vontade de falar aperta. Dias em que o cansaço emocional pesa. Dias em que dá vontade de contar tudo. Não para ferir, mas para que algumas pessoas entendam o quanto foram ingratas. O quanto receberam mais do que reconheceram. O quanto foram amparadas, mesmo quando não mereciam.
O problema é que muitas dessas pessoas não querem a verdade. Querem apenas o conforto da própria versão. Preferem se fazer de vítimas a encarar a própria responsabilidade. E têm uma habilidade quase impressionante de inverter papéis, de apagar gestos, de esquecer mãos estendidas.
Falar, nesses casos, não resolveria. Apenas alimentaria o teatro.
A maturidade emocional ensina que nem toda injustiça precisa de palco. Que nem toda dor precisa de plateia. Que às vezes o maior gesto de força é não reagir no mesmo nível. É sair em silêncio. É seguir em frente sem precisar provar nada.
Quem viveu, sabe.
Quem sustentou, lembra.
Quem foi leal, carrega a consciência tranquila.
Existem pessoas que só enxergam o que perderam depois que perdem. Outras, nem isso. E não cabe a nós educar a ingratidão alheia às custas da nossa saúde emocional.
Calar, nesse ponto, deixa de ser omissão. Passa a ser limite.
Porque quem precisa se justificar o tempo todo acaba se perdendo de si. E quem se faz de vítima constantemente revela mais do que imagina. O silêncio, por outro lado, preserva. Organiza. Protege.
Algumas verdades ficam guardadas não por medo, mas por escolha. E escolher a própria paz, mesmo com a garganta cheia de palavras, é um sinal claro de crescimento.
Nem tudo precisa ser dito.
Nem todo confronto vale a energia.
E nem toda história precisa de um último capítulo falado.
Algumas terminam no silêncio. E isso basta.