
Eu odiava deixar coisas mal resolvidas.
Carregava a ideia de que tudo precisava de uma última conversa. Uma explicação final. Um fechamento digno. Até entender que isso era mais sobre a minha ansiedade do que sobre maturidade.
Nem tudo merece explicação.
Nem todo mundo merece acesso ao nosso tempo, à nossa voz, à nossa tentativa de resolver.
Existem pessoas e situações que não pedem diálogo.
Pedem afastamento.
Há momentos em que insistir em conversar é apenas prolongar um desgaste que já mostrou todos os sinais possíveis. Quando não há escuta, quando não há respeito, quando não existe consideração real dos dois lados, insistir não é maturidade. É autoabandono.
Diálogo só existe quando há disposição verdadeira para ouvir.
Quando há respeito mútuo.
Quando existe interesse em compreender, não apenas em vencer.
Fora disso, conversa vira monólogo.
E monólogo cansa.
Existem situações em que a resposta mais saudável é o silêncio. Não por orgulho, mas por lucidez. Não por frieza, mas por amor próprio. Olhar, entender o que está sendo oferecido e aceitar que aquilo não é suficiente.
Aprender a se afastar sem drama é um sinal claro de crescimento emocional. É entender que nem toda ruptura precisa de barulho. Que nem toda saída precisa de explicação detalhada. Às vezes, ir embora em silêncio é a forma mais elegante de se respeitar.
A maturidade não está em resolver tudo.
Está em saber o que não vale mais a tentativa.
Quando percebemos que não há abertura, que não há cuidado, que não há reciprocidade, continuar insistindo não constrói pontes. Apenas consome energia, autoestima e tempo.
Existem relações que se encerram sozinhas.
Sem discussão.
Sem última conversa.
Sem fechamento cinematográfico.
E tudo bem.
Nem todo afastamento é falta de amor. Às vezes, é excesso de amor próprio. É escolher a própria paz em vez de insistir em algo que já deixou claro que não sabe cuidar.
Silenciar também é uma resposta.
Se afastar também é uma escolha.
E respeitar os próprios limites é uma forma profunda de maturidade emocional.