Evitar o Silêncio Também É Uma Escolha por André Luiz Santiago Eleuterio

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Evitar conflitos é, sim, uma habilidade necessária.

Aprendemos desde cedo que paz significa silêncio, que maturidade é engolir, que equilíbrio é ceder sempre. Mas essa ideia, quando mal compreendida, se transforma em um lugar perigoso. Porque nem todo conflito destrói. Alguns salvam.

Existem situações em que o silêncio não é maturidade.

É abandono de si mesmo.

É permitir que ultrapassem seus limites sem resistência. É aceitar desrespeitos disfarçados de opinião. É normalizar atitudes que ferem só para não parecer exagero.

Nem toda pessoa entende limites ditos com calma.

Algumas só respeitam quando encontram resistência. Não por maldade consciente, mas porque funcionam assim. Testam até onde podem ir. Avançam até serem contidas. E recuar nunca foi opção para quem nunca foi confrontado.

Entrar em um conflito, nesses casos, não é perder o controle.

É recuperar território emocional.

É dizer com firmeza que existe uma linha que não será mais cruzada.

Há pessoas que confundem gentileza com fraqueza.

Confundem paciência com permissão. Confundem silêncio com concordância. E quando encontram alguém que evita qualquer embate, entendem isso como um convite para continuar.

O problema não é o conflito em si.

É o medo que nos ensinaram a ter dele.

Conflito não precisa ser grito.

Não precisa ser agressão.

Não precisa ser descontrole.

Às vezes, conflito é apenas dizer não.

É sustentar uma posição. É não recuar só para manter uma falsa harmonia. É parar de explicar demais para quem já decidiu não entender.

Existem pessoas que só param quando encontram alguém disposto a ir até o fim da conversa.

Não até o fim da briga, mas até o fim da verdade.

Evitar conflitos o tempo todo cansa.

Cansa porque exige que você se adapte sempre. Que você se molde. Que você diminua incômodos legítimos para caber em espaços que nunca te respeitaram de verdade.

Em algum momento, o corpo começa a cobrar.

A mente pesa. O emocional se fragiliza. E você percebe que a paz que achava estar protegendo, na verdade, nunca existiu. Era só silêncio acumulado.

Entrar no conflito certo, na hora certa, com a intenção certa, é um ato de amor próprio.

É mostrar que você se leva a sério. Que seus limites não são negociáveis. Que sua saúde emocional não é um detalhe.

Nem todo confronto gera guerra.

Alguns encerram ciclos.

Alguns reposicionam relações.

Alguns ensinam respeito onde antes só havia abuso emocional disfarçado.

E sim, evitar conflito continua sendo necessário.

Mas escolher entrar nele, quando a sua dignidade está em jogo, também é.

Porque paz de verdade não é ausência de confronto.

É presença de respeito.

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