O silêncio que fala – André Luiz Santiago Eleutério

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

O silêncio é uma presença constante na vida de todos nós. Ele não faz barulho, não chama atenção, mas sempre está ali. Às vezes, chega como descanso. Outras vezes, como peso. O silêncio é contraditório porque pode ser abrigo ou pode ser prisão. Tudo depende do momento em que ele aparece e da forma como o carregamos por dentro.

Vivemos em um mundo barulhento. Sons, opiniões, mensagens, cobranças. Há sempre alguém falando, exigindo respostas rápidas e decisões imediatas. Nesse cenário, o silêncio pode ser um alívio. Ele acalma. Ele desacelera. Ele permite respirar. É no silêncio que muitas pessoas conseguem ouvir a própria consciência, organizar pensamentos e encontrar um pouco de paz.

Mas nem todo silêncio é leve. Existe o silêncio que machuca. Aquele que nasce da ausência. Da falta de resposta. Da palavra que não veio quando era necessária. Esse silêncio sufoca porque deixa espaço para dúvidas, medos e interpretações dolorosas. Ele cria perguntas sem resposta e sentimentos que não encontram lugar para sair.

Quantas vezes o silêncio foi usado como defesa? Quantas vezes alguém se calou para não discutir, para não se expor, para não se machucar mais? Em muitos casos, o silêncio vira escudo. Protege por fora, mas fere por dentro. O que não é dito não desaparece. Apenas se acumula.

O problema não é o silêncio em si, mas o motivo dele. Há silêncios que curam, porque vêm acompanhados de consciência. E há silêncios que adoecem, porque nascem do medo, da culpa ou da dor não elaborada. Quando não falamos sobre o que sentimos, o corpo e a mente acabam falando por nós.

Refletir sobre o silêncio é, na verdade, refletir sobre a forma como nos comunicamos com o mundo e conosco. Nem tudo precisa ser dito imediatamente, mas também nem tudo pode ser guardado para sempre. Existe um tempo certo para falar e um tempo necessário para silenciar. Sabedoria é reconhecer a diferença.

Na vida, aprendemos que palavras têm força. Mas o silêncio também tem. Ele pode ser respeito, espera, maturidade. Ou pode ser abandono, descaso, indiferença. Cabe a cada um observar o próprio silêncio e entender o que ele está tentando esconder ou revelar.

Talvez o maior aprendizado seja este: o silêncio não deve ser fuga, mas escolha consciente. Quando ele alivia, é sinal de equilíbrio. Quando sufoca, é um pedido interno de escuta. E ouvir a si mesmo é um ato de coragem. Porque só quem se escuta de verdade consegue viver com mais verdade.

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