O ano 9 e o encerramento dos ciclos, por André Luiz Santiago Eleuterio

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Encerrar ciclos é um exercício que raramente acontece de forma simples. A maior parte das pessoas carrega histórias, vínculos, expectativas e dores como se fossem partes obrigatórias da própria identidade. No entanto, há momentos na vida em que o encerramento deixa de ser apenas uma escolha e passa a ser uma necessidade silenciosa, quase pedagógica. O ano de 2025 simboliza exatamente isso. Um tempo que convida ao fechamento definitivo do que já cumpriu sua função, mesmo que ainda exista apego emocional.

Finalizar não significa apagar o passado ou negar a própria história. Pelo contrário, encerrar ciclos exige maturidade para reconhecer o que foi vivido, agradecer o que ensinou e aceitar que nem tudo precisa ser levado adiante. Muitas dores persistem não pela intensidade do que aconteceu, mas pela recusa em permitir que aquilo termine. A insistência em reviver memórias, relações e expectativas cria um peso invisível que se acumula e impede novos movimentos.

Existe uma diferença importante entre lembrar e se apegar. Lembrar é natural, humano e necessário. Apegar se transforma em prisão quando o passado passa a ditar o presente e limitar o futuro. Quantas decisões continuam sendo tomadas a partir de feridas antigas, de frustrações não resolvidas ou de culpas que já não fazem sentido? O encerramento de um ciclo oferece a oportunidade de revisar essas narrativas internas e decidir conscientemente o que ainda merece espaço.

Deixar para trás não é sinal de fraqueza, mas de lucidez emocional. Muitas vezes, carregamos pesos que nunca foram nossos. Expectativas alheias, responsabilidades impostas, dores herdadas de relações mal resolvidas. Libertar-se dessas cargas é um ato de respeito consigo mesmo. É reconhecer que o próprio caminho precisa ser vivido com leveza, mesmo quando isso exige rupturas difíceis.

O fim de um ciclo também pede silêncio e introspecção. Não se trata de anunciar mudanças ou justificar escolhas, mas de compreender internamente o que precisa ser concluído. Algumas despedidas acontecem sem palavras, apenas com decisões firmes e limites claros. Outras exigem coragem para dizer não, para encerrar conversas repetidas, para abandonar versões antigas de si mesmo que já não representam quem se é hoje.

O fechamento definitivo traz espaço. Espaço emocional, mental e espiritual. Onde antes havia peso, surge clareza. Onde existia confusão, nasce discernimento. Encerrar ciclos não garante um futuro perfeito, mas prepara o terreno para que novas experiências não sejam contaminadas por pendências antigas. É um gesto de responsabilidade afetiva consigo e com os outros.

Que este seja um tempo de desapego consciente. Um convite para deixar no passado aquilo que já ensinou o que precisava ensinar. A vida segue em constante movimento, e resistir ao fim de ciclos é resistir ao próprio fluxo da existência. Ao permitir que o que precisa terminar realmente termine, abre-se espaço para recomeços mais honestos, mais leves e mais alinhados com quem se tornou ao longo do caminho.

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