
Sou a soma de tudo aquilo que tentou me partir ao meio e não conseguiu.
Carrego no corpo as cicatrizes dos dias em que quase perdi a direção, mas carrego na alma a fé que me costurou de volta para mim mesmo.
Se tem algo que aprendi é que nada se perde quando o coração sabe esperar: o que Deus retira não é punição, é troca. É lapidação. É caminho sendo reorganizado para algo maior.
A vida tem um jeito curioso de desmontar o que parecia firme para revelar o que realmente importa.
Há processos que rasgam, há dores que enfraquecem, há silêncios que pesam.
Mas existe uma força que só nasce quando tudo o que você tinha deixa de ser suficiente.
Uma força que não é barulho, não é vitrine — é raiz.
O “quase” que tentou me quebrar serviu para me mostrar onde eu ainda me apoiava errado.
Mostrou o excesso, o apego, a teimosia em segurar o que já não fazia sentido.
Tudo aquilo que desmoronou abriu espaço para o que precisava chegar.
E quando chegou, fez sentido demais para que eu desejasse voltar para a versão antiga de mim.
Crescer nunca foi uma escolha confortável — mas sempre foi a única opção possível.
No meu mundo, nada permanece igual.
Ou melhora, ou acaba.
Ou amadurece, ou fica para trás.
Não existe meio-termo para quem já entendeu o valor de ser inteiro.
E se tem algo que guardo comigo, é isso:
a vida não tira para diminuir, tira para encaixar.
Tira para alinhar.
Tira para preparar.
A reconstrução nunca começa pelo teto, sempre começa pelo chão.
E eu?
Eu sigo.
Com fé, com força e com a serenidade de quem sabe que, mesmo quando tudo parece ruir, existe um propósito trabalhando em silêncio.
Se hoje estou de pé, não é por falta de quedas — é por sobra de recomeços.
Sou feito dos processos que quase me quebraram.
E da coragem que me levantou depois de cada um.