André Luiz Santiago Eleutério — A Saudade Que Engana: Por Que Você Sente Falta Do Caos Que Te Feriu

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Tá sentindo falta? Falta de quê, exatamente?

Das migalhas?

Do mínimo?

Da confusão?

Daquele roteiro caótico que você decorou sem perceber?

Porque, convenhamos, quando a gente diz “tô com saudade”, na maioria das vezes não é do amor é do vício emocional. Daquele drama que fazia o coração bater rápido… mas não por paixão: por alerta. Era ansiedade disfarçada de intensidade. Era desgaste fantasiado de “química”. E você chamava de destino o que, no fundo, era só desordem afetiva.

Vamos lá, respira fundo e pensa comigo:

Você sente falta da instabilidade?

Da incoerência?

Da necessidade constante de cobrar o básico, como quem mendiga um afeto que deveria vir espontâneo?

Porque é curioso, né? A gente sai de uma relação completamente torta e, duas semanas depois, o cérebro começa a romantizar o caos. Esquece do que doeu, lembra só do que brilhou mesmo que tenha sido uma lâmpada fraca piscando no fim do corredor.

O cenário era um caos, e você sabe disso. Um caos cheio de curvas perigosas, buracos emocionais e placas de “não insista” que você arrancava com a mão. E agora me aparece com saudade? Saudade de quê?

De correr atrás enquanto o outro caminhava?

De tentar adivinhar o humor do dia, como quem tenta prever o clima sem previsão?

De dormir mal, acordar pior e ainda dizer que “vai passar”?

Passar onde? Passar por cima de quem?

De você.

Sim, é duro de ouvir. Mas necessário. Porque a saudade, às vezes, não é pelo outro. É pelo papel que você desempenhava. E quando você se despe do personagem que interpretou por tanto tempo, sobra um vazio que não é sobre o outro é sobre você finalmente encarar quem ficou.

E aí vem a parte bonita, apesar de ácida:

Esse vazio é o espaço que a paz precisa para entrar.

O problema é que, no começo, paz parece tédio para quem se acostumou ao caos.

Paz parece ausência.

Parece falta.

Parece… saudade.

Mas não é.

É saúde.

É silêncio onde antes havia barulho.

É equilíbrio onde antes havia desespero.

É clareza onde antes havia drama.

E talvez o que você esteja chamando de saudade seja só abstinência emocional de um ambiente que te adoecia. Porque quando a pessoa não te dava o básico, qualquer migalha parecia banquete. E agora que você está longe, o seu cérebro tenta te enganar, como quem diz: “Volta lá. Vai que agora é diferente.”

Não vai.

Você não está sentindo saudade da pessoa.

Está sentindo falta da versão de você que acreditava que aquilo era amor.

E essa versão… ficou no passado.

Ainda bem.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima