
Há um momento na vida em que a gente descobre, quase sempre tarde demais, que segurar alguém que não quer ficar não é prova de força é só a forma mais discreta de nos machucarmos. E ninguém te avisa isso. Ninguém te prepara para o tipo de dor que não grita, mas corrói por dentro, devagar, como se tivesse tempo de sobra para lembrar que você tentou muito mais do que precisava.
Porque quando não existe reciprocidade, nada flui. Nada cresce. Nada volta.
E, ainda assim, você permanece. Permanece porque acredita que o outro, em algum instante, vai enxergar o que você fez, o que você segurou, o que carregou nas costas enquanto sorria por fora e implorava por dentro para não ser abandonado.
Mas quem não vê, não vê.
Quem não sente, não sente.
E quem não te escolhe… não aprende a te escolher só porque você insiste.
A verdade é que, quando a presença de alguém só acontece porque você o força a permanecer com explicações, com paciência, com desculpas que você inventa para não aceitar a realidade essa pessoa começa, pouco a pouco, a te tratar como algo descartável. Não por maldade, mas porque aquilo que é empurrado nunca parece valioso. E você vai acumulando pequenas rejeições, pequenos silêncios, pequenas ausências que, somadas, fazem um estrago que ninguém imagina.
Até que um dia você percebe: amar sozinho dói mais do que perder.
E é nessa hora que você começa a partir mesmo querendo ficar.
O que ninguém te conta é que reconstruir-se depois disso não é imediato.
Quanto mais você insistiu para permanecer, mais profunda ficou a fissura. E mais difícil é olhar no espelho e se reconhecer sem a ideia de que precisa provar algo para alguém.
Mas existe um ponto de virada.
Existe uma hora em que você entende que reciprocidade não se implora, amor não se pede, presença não se mendiga.
E é exatamente nessa hora nessa pequena fresta entre a dor e o entendimento que você começa a se libertar.
A cura nunca vem rápido.
Ela vem em partes, em ondas, em pausas.
Vem quando você decide parar de tentar convencer alguém a te enxergar.
Vem quando você entende que vale mais a ausência sincera do que a presença obrigada.
Vem quando você finalmente respira fundo e aceita que o que não é seu nunca fica e o que é seu nunca precisa ser empurrado.
No fim, permanecer por alguém que nunca te escolheu não te torna grande.
O que te torna grande é quando você, finalmente, escolhe a si mesmo.
E a verdade mais dura e ao mesmo tempo mais libertadora é que ninguém consegue ferir você para sempre… quando você decide voltar para si.