
A gente passa boa parte da vida tentando entender por que algumas pessoas vão embora.
Às vezes, a gente sente como se tivesse perdido algo grande. Mas, com o tempo, percebe que o que se perdeu foi apenas o que nunca foi de verdade.
Nem toda ausência é falta.
Nem todo fim é perda.
Alguns afastamentos são livramentos disfarçados de dor.
Aprendi que a única perda que dói de verdade é a de alguém que nos fazia bem, que nos tratava com respeito, com valor e com carinho.
Todo o resto é só o universo tirando do caminho o que não cabia mais.
Muitas vezes, insistimos em permanecer onde o amor já não é recíproco.
Aceitamos migalhas de afeto, tentando justificar o injustificável.
Mas o que vem sem cuidado, o que machuca a alma, o que fere a autoestima — não é amor, é apego.
E o apego é o que mais nos prende onde não deveríamos ficar.
O verdadeiro amor seja de um parceiro, amigo ou parente não é o que pesa, é o que soma.
Ele não nos faz sentir pequenos.
Ele traz leveza, paz e segurança.
Quando alguém nos faz sentir o contrário disso, é sinal de que o ciclo precisa terminar, mesmo que doa.
Perder o que não nos respeita é ganhar de volta o direito de recomeçar.
E recomeçar é um ato de coragem.
Porque é escolher a si mesmo depois de ter se esquecido por um tempo.
A vida, em sua sabedoria silenciosa, tem o hábito de tirar o que atrasa o nosso crescimento.
Às vezes, o que chamamos de “fim” é apenas um desvio necessário para nos colocar de volta no rumo da paz.
Nem toda despedida é castigo.
Algumas são bênçãos que ainda não conseguimos entender.
Por isso, aprendi a não lamentar tanto as partidas.
Quem me trata com respeito, com valor e com carinho, esse sim é alguém que deixa saudade.
Mas todo o resto… é só o universo me dizendo: “livramento concedido.”