
A maioria das pessoas passa a vida buscando alguém que as faça felizes. Mas poucas entendem que a verdadeira beleza de uma relação está em ser essa pessoa.
Ser aquele que soma, que acolhe, que escuta sem pressa.
Ser o abrigo em vez de ser apenas o que busca abrigo.
Vivemos tempos de carência disfarçada de amor.
Gente que confunde atenção com afeto, presença com posse, companhia com necessidade.
Mas o amor verdadeiro não nasce da falta — nasce da escolha.
É o querer estar, mesmo podendo ir.
É o olhar pro outro e pensar: “eu quero ser refúgio pra essa pessoa, assim como ela é pra mim.”
Existe algo profundamente bonito em dois seres que se escolhem todos os dias, não porque precisam, mas porque se admiram.
Porque se respeitam, porque compreendem que o amor não é um sentimento que cai do céu — é uma construção silenciosa feita de pequenos gestos, de cuidado mútuo e reciprocidade.
Quando o amor é genuíno, não há disputa de poder, nem cobrança disfarçada de prova.
Há parceria.
Há tempo pra escutar, há vontade de entender, há paciência pra reconstruir o que o orgulho tentaria destruir.
E é aí que o amor se torna grande — quando não se mede pelo que o outro oferece, mas pelo que ambos são capazes de criar juntos.
O problema é que muita gente quer o amor, mas não quer o trabalho emocional que ele exige.
Quer o conforto, mas não quer o compromisso.
Quer o “pra sempre”, mas vive como se tudo fosse descartável.
E nessa pressa de sentir algo, acaba aceitando qualquer coisa — e chamando de destino o que, na verdade, é carência.
Amar de verdade é ir na contramão disso tudo.
É entender que o outro não veio pra preencher teus vazios, mas pra caminhar contigo enquanto tu aprende a se preencher sozinho.
É dividir o que transborda, não o que falta.
E quando dois corações se encontram nesse nível de maturidade, não há jogo, não há medo, não há dúvida.
Há paz.
Há leveza.
Há o tipo de amor que não sufoca — o que liberta.
Então, talvez o segredo não seja procurar alguém que te faça feliz.
Mas se tornar alguém capaz de levar felicidade onde passa.
Porque quando o amor é real, ele não é troca de carências — é encontro de inteirezas.
— André Luiz Santiago Eleutério